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sábado, 29 de maio de 2010

BELA A FEIA


Gente, eu assisto uma novela que eu amo muito! Chama-se BELA A FEIA. A história é a seguinte: Bela uma mulher feia e nada atraente se apaixona pelo seu patrão, Rodrigo. E ele por ela. Um dia ela é seqüestrada e jogada de um penhasco dentro do seu conversível. A mãe de Rodrigo, que estava passando por lá, tira ela do carro e salva sua vida. Porém todos achavam que ela tinha morrido, até o Rodrigo. Então ela se transformou em Valentina Carvalho e ficou linda, ninguém nem notou, exceto o Rodrigo. Ela contou pra ele tudo e então o segredo continuou seguro. Ela só ia se revelar ao mundo quando, e se aqueles bandidos fossem presos. Porém eles descobriram tudo disfarçados e conhecendo uma quase avó do Rodrigo que descobriu tudo e foi contar para a "Lalinha", que nada mais é que o Ataulfo (bandido) disfarçado. Assim ele e seu filho vão a casa que a Bela estava escondida e fazem de refém a mãe de Rodrigo, a babá do filho que a Bela e Rodrigo tiveram juntos e a quase avó de Rodrigo. =D


Bom o resto eu não posso dizer, pois ainda não passou na TV, mas é bom vocês começarem a ver essa incrível novela da Record antes que acabe (já está nos últimos capítulos!!)
E vejam esse vídeo aqui, é a musica mais linda e romentica da face da Terra. Essa é a musica de Bela e Rodrigo. Está lá em baixo, assistem!

Essa novela mostra que até aqueles que todos acham feios podem encontrar o amor verdadeiro e ficarem mais lindos que qualquer outro! Mas é claro que isso não muda nada e seu amor verdadeiro vai continuar a te amar! Horário: 22:30 de segunda a sexta na Record.

AMOAMOAMOAMO ESSA NOVELA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! BJS E ABRAÇOS A TODOS VOCÊS, VOCÊS SERÃO LINDOS, ALÉM DE JÁ SEREM!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Inglês, roteiro

Anyx, an alian planet from planet Mandra, came to Earth looking for a stollen diamond that can change life as we know it. But she was kidnapped by a crazy scientist, Kayson

May and Wilson with their school, went on a trip to visit Kayson's lab..
There they saw poor Anyx and saved her, while Kayson explained to the school about his profession.
Anyx, May and Wilson ran to May's house to hide Anyx. She explained everything about her planet, her habits, aboute the diamond, etc.
They attacked Kaysone and they found out he was a alien, and that he had hidden the diamond, the reason why he camed to earth to hide it from people of Mandra.
Anyx and Kayson retorned to their planet, and Kayson went to jail.

PS: para ler TUDO, com o cursor e seleciona Tudo pronto!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Yeda!!!!!!!!!!!!!!


" Porcaria", saudades docê!!!!! Yedinha do meu coracion, você me ensinou português com muito astral e diversão. Sua alma ocupava a sala e sua alegria é contagiosa. Mas os bons tempos se foram, não tenho mais aula contigo, buaaaaaaaaaaaaaaaaaa... Não que eu não goste da nova prof, muito pelo contrário, ela é dez. Amo você Yeda, acho que sem você, eu não teria aprendido direito a conjugar verbos nos 6 tempos!

Saudades docê. Eu e a Ana amamos você!

Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You Love You


Saudades

http://www.mantodanoite.hpg.ig.com.br/mantopoemas.htm É um site de poemas de vampiros. Any, eu sei que você vai achar que eu estou copiando-a, mas não estou, eu tenho essa postagem salva. Amo-te.AFe
É isso ai, acho que depois de parar de postar, vocês merecem uma postagem mais profunda. Sei lá. Mas eu também queria dizer que sinto muito por parar de postar, e que logo logo eu voltarei.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Paixão é eterna

Quando os pais de Nati chegaram, estavam bêbados. A mãe de Nati sorriu para nós e logo tombou com a mesa de jantar, eu dei uma gargalhada, vi que Nati me olhou com um olhar de frustração e logo ela me deu uma cotovelada no braço, doeu. Não pude evita e dei um soco de leve com o punho fechado no ombro de Nati, ela me observou e sinalizou com o dedo indicador para cima. Olhei para o teto, logo virei minha face para o rosto de Nati e fiz uma cara de interrogação. Ela indicou novamente e sussurrou:
- Vamos subir, minha mãe é maluca bêbada.
Fiz como mandado e subi me esquivando dos moveis que cercavam a casa reformada. Subimos as escadas e fiquei tonta, muito tonta. Nati nem percebeu e quando por fim notou minha ausência e virou para mim e esbugalhou os olhos.
- Evan! Você está bem? - ela ficou paralisando me analisando.
- Só fiquei pouco tonta, vamos, me ajude! - exclamei, muito tonta!
Quando Nati agarrou meu pulso vi suas veias saltarem quando ela fez força para me levantar, lambi os lábios e toquei meus caninos com a língua. Era isso, eu precisava de sangue. Fiquei inquieta quando vi que a mãe de Nati tombou novamente com outro móvel, porém desta vez o móvel era de vidro e ela começou a sangrar. Vi o sangue escorrer suas pernas mal escondidas pelo vestido de veludo e me apressei a me soltar de Nati e ir próxima a minha nova vitima.
- Oh, você está bem? - perguntei sonsa, eu não estava lá para ajudá-la e sim para sugar seu sangue vitaminado e repleto de álcool. Eca! Esse pensamento me fez afastar de ela e correr em direção de Nati, que estava na beira da escada sem entender nada. Provavelmente pensando “Ela é obcecada por esse liquido vermelho”. Subi as escadas e agarrei o braço de Nati ao passar por ela e a levei às pressas no quarto dela.
- Você está maluca! - Nati disse. Aquilo não soou com uma pergunta, porem discordei com o indicador e mostrei a ela minha pele pálida e fria.
Quando um vampiro esta com a pele com as características que eu citei, isso significa que é necessidade de sangue estrema. Nati se exaltou e compreendeu, me afastei ao ver o ato impulsivo que ela fez. Nati levantou a manga de sua blusa e o seu braço bronzeado ficou a mostra.
- Não! Sai! - gritei, mas nenhum adulto foi ao quarto de tão bêbados e sonolentos que estavam.
- Vá em frente, Evan - disse Nati, me incentivando. - Alias não é a primeira vez.
O pior era que Nati estava certa, não era a primeira vez, na verdade a primeira vez fora no pátio da escola.
Eu estava débil o suficiente de não conseguir me mexer, achei que ficaria paraplégica. Nati assustada se aproximou e chorou muito, tínhamos apenas nove anos e mal sabíamos o que estava por vir naquela manhã. Nati sempre carregou um pedaço de vidro que um dia ela encontrara na calçada da escola, essa é outra historia. Me lembro que no dia em que ela encontrou a tal vidraça disse que era um sinal de Vênus, a deus das mulheres, e guardou em segurança até aquele dia o pedaço de vidro.
Ela retirou o objeto da carteira delicada e fechando os olhos cortou seu braço, abrindo uma ferida pequena porém recheada de sangue fresco. Lembro-me que ela colocou automaticamente seu braço em minha direção, tanto eu quanto ela sabíamos que não havia outra opção e bebi pouca mais que 500mls.
Voltando ao presente, Nati tem a cicatriz da ferida até hoje e eu sabia que ela estava apta a reabri-la para me alimentar.
Infelizmente Nati havia jogado fora o pedaço da vidraça logo após um dia do incidente do pátio, então não tínhamos um instrumento para abrirmos a ferida e nossa tamanha preguiça nos limitou de ir até a cozinha e pegar uma faca ou algo do gênero. Então Nati, olhou para minha boca e logo indicou os dentes, sabia o que ela queria dizer.
Me apressei e com os olhos vendados por um de meus palmos suguei seu sangue doce e requintado de proteínas (livre de álcool também). Me lembrei da carta de Vampir e o que ela continha e sem mais nem menos, eu tinha ali uma oportunidade de realizá-la e a melhor parte: a culpa não seria completamente minha, pois Nati se oferecera. Não tive escolha e parti pro ataque, aquela seria minha primeira vitima a ser envenenada. Me apressei e fui derramando meu veneno em seu sangue, Nati começou a se revirar de dor! Parei assim que ela gritou:
- Pare! - ouvi ela dizer e como mandado parei.
Nati ficou confusa mas de cabeça baixa, fiquei satisfeita por dois motivos: 1º eu não estava mais tonta e 2º eu tinha feito um pouco do que Vampir mandou eu fazer. Vi meu reflexo nos olhos úmidos de Nati, levei minha mão até seu rosto para cariciá-la suavemente. Mas ela se afastou de meu carinho, vi tantas lágrimas em seus olhos que queria morrer ali mesmo, me adiantei a dizer:
- Desculpa, Nati, não era minha intenção - ela me encarou com cara de desgosto, sim eu estava sendo uma hipócrita, mas eu não tinha culpa mesmo!
- Como você se atreve? Eu estava tentando lhe ajudar! Agora estou dolorida! - disse minha vitima, Nati estava arrependida e realmente brava.
Pensei em como em segundos atrás estava tudo bem entre nós, estávamos cercadas de crônicas engraçadas sobre meu mentor, estávamos rindo a plenos pulmões e nada podia arruinar aquele momento entre amigas. Mas pretérito é pretérito, e em poucos minutos depois, toda a diversão repentinamente se transformou em desprezo e confusão entre amigas. Tive vontade de chorar, muita vontade de chorar. Meus pensamentos me privaram de tocar Nati, de repente me vi encostada no canto da parede próxima a cama de princesa de minha ex-melhor amiga, logo a minha visão ficou embaçada e tudo que eu sentia não bastavam de infinitas gotas que se derramavam em minha face. Minha pele, antes seca, já estava mais úmida que uma lagoa. Me senti fraca, impossibilitada de agir diante daquela situação. Me deixei desistir e cair no piso de carpete daquele quarto antes com uma energia boa, agora com uma energia requintada de traição e tristeza.
Me deitei e me pus a pensar em Nati, apenas em Nati. Em como ela tinha total confiança em mim, mas agora às três da manhã, tinha nojo e ódio de minha pessoa. Eu não queria perder a sua amizade e tentei ao máximo pensar em apenas lembranças de nossa amizade e coisas boas, apenas boas. Como eu queria lhe contar o motivo de tal ação, que não fora minha culpa e sim de um frio e sem alma de um vampiro.
Parei de pensar em Nati ao ouvir uma leve ventania cercar o mundo a fora. Olhei em direção a única janela do quarto. A brisa era eminente e cercou o cômodo, ninguém a havia fechado. Fiquei encarando a noite escura, cheia de nuvens e com uma lua crescente. A paisagem estava repleta de tranqüilidade, a noite me chamava, eu a conseguia ouvir e sentir. “Venha querida, tenho algo a lhe mostrar”. Aquela voz calma e sedutora me fez levantar e caminhar até a janela. Vi um espírito de uma bela mulher cercada por um vulto azul e verde claro, ela aparentava ter vinte e poucos anos, suas madeixas louras e castanhas a cercavam de seu rosto a sua cintura. Meu queixo caiu e estiquei a mão até aquele espírito.
- Sai Evan, você vai pegar um resfriado - disse a voz de Nati sem forças. Ela falou comigo! Ela ainda se importava comigo! Vi um pingo de esperança crescer em meu cérebro. - Vamos Evan! Saia já!
Fiz como mandado, ela introduziu: - e fecha essa janela.
Novamente a obedeci e me aproximei dela, ela estava pálida e com uma das mãos tampava a ferida de seu braço. Olhei em volta e peguei meu casaco rasgado e feio, o peguei rapidamente e enrolei cautelosamente na mão direita, onde estava a ferida. Enrolei o casaco em seu pulso que sangrava muito. Fiz um curativo improvisado nela e a encarei com os olhos mais angelicais que pude emitir. Ela retribuiu com um olhar de perdão e arrependimento.
- Perdão Evan, você me perdoa? - perguntou Nati com os olhos afundados em suas lágrimas salgadas e cristalinas.
Nem precisei soltar minha voz, um simples abraço respondeu sua pergunta. O abraço foi longo e gostoso, não queria que aquela sensação acabasse muito menos Nati queria. Com meus braços em volta dela, aproximei meus lábios de sua orelha direita e sussurrei com uma voz trêmula.
- Eu te amo Nati, me perdoe - minha voz falhava loucamente e eu chorava muito.
Ela me apertou e fez com que o abraço selasse esse momento de sinceridade entre amigas, que estavam se sentindo repletas de culpa.
Nati encerrou o confortador e caloroso abraço e se retirou do quarto mostrando seu pulso dolorido e indo em direção ao quarto dos pais. Ela iria chamar-los para dar boa noite, mas do jeito que eles estavam bêbados, não iria nem notar o pulso ensangüentado de Nati. Aproveitei que ela saiu e voltei meu corpo até a janela fechada. A abri e vi a bela mulher flutuando em minha frente, ela sussurrou:
- Evangeline, minha querida- disse calmamente.- Sou sua Deusa, Vênus - fiquei a encarando e me surpreendi ao ouvir tal frase.- Tenha cuidado você corre perigo, pense duas vezes antes de realizar qualquer ação.
A mulher, Vênus, desapareceu naquela fria noite de sexta feira. Olhei para baixo automaticamente e vi uma pessoa. Me lembrei do que minha Deusa acabara de dizer e instantaneamente recordei o acontecimento do telefonema anônimo. Nati voltou pro quarto enfaixada com um decente curativo e jogou meu casaco em um cesto de palha de roupa suja que ela tem desde que eu a conheço como pessoa, ou seja, desde os quatro anos. Ela se voltou para mim e seus louros cabelos voaram pelo ar, ela deu um sorriso de alegria e me deixou com medo. Deusdocéu que medo dela! Fiquei ali parada, a encarando, me pondo a pensar em como ela estava feliz (até demais). Seu júbilo cercou a casa e me senti cercada de flores e doces saltitantes, como no Discovery Kids. Levantei e me aproximei da felicidade em pessoa, ela sorria com a boca totalmente aberta. Quando estava em sua frente, a menos de um metro daquela criatura, a chacoalhei e ela se esquivou de meus braços e caiu pesadamente no chão. Ela se pôs a chorar e borrar toda sua maquiagem. Percebi que aquele sorriso estava apenas escondendo sua tristeza repugnante.
- O que aconteceu com você, Nati? - perguntei nervosa e com os olhos tristes, minha sobrancelha estavam mostrando minha preocupação com seu volume e postura. Ela me olhou com uma dor e ao mesmo tempo ira nos olhos e fez questão de me mostrar o dedo! - Que é isso! - não soou como uma pergunta e deixei claro que estava me sentindo ofendida.
Ela se curvou e diante de mim disse nervosa - Olha o que você fez, Evan! - disse Nati com ódio e desgosto estampados na face toda mutilada pelas suas mãos, e molhada pelas suas infinitas lagrimas. - Você não sabe? Me transformou nisso agora, em algo que você sabe melhor que eu, que odeio isso!
Me senti duplamente ofendida. Sim, eu sabia melhor do que ela que ela odeia vampiros. Ela fazia questão de colocar em todas as redações que mandavam fazer sobre vampiros, que somos repugnantes e malignos e ela fez questão de colocar na capa do livro de vampiros que nossa professora nos mandou ler, na capa de couro marrom: “Odeio eles! Seres repugnantes!”.
Mas agora ela era uma de nós e ela tinha que aceitar isso, por mais que ela odiasse a ideia. Ela me olhou e com forças bruscas arrancou o curativo de seu braço (o estraçalhou para ser exata) e me mostrou duas picadas fofas e pequenas rodeadas de vermelho e amarelo. Isso queria dizer que eu acabara de envenená-la, pois nosso veneno tem um forte tom de amarelo. Tanto é que nunca vou ao dentista, senão é evidente que meus dentes não são normais e que eu tenho bactérias amarelas e liquidas, pois não há nenhuma outra explicação correta com esse diagnóstico. Eu me choquei ao ver-La ranger seus dentes. Em seguida ela mordeu seus lábios, mas eles sangraram. Seus caninos haviam sido cravados nos lábios antes pálidos de Nati e agora vermelhos. Fechei os olhos de nojo quando a vi lamber os furinhos dos lábios, ela estava gemendo de prazer. Logo Nati percebeu o que estava fazendo e com a manga do casaco roxo que ela estava usando tampou cuidadosamente as aberturas no lábio e disse com dificuldade e raiva:
- Viu só o que eu estou querendo dizer! Você me transformou nesta aberração e agora não tem mais volta! Minha vida já era, Evan! E tudo isso é sua culpa!
Sim, Nati fez questão de acrescentar um maior tom de voz no final de cada frase. Novamente me senti ofendida e franzi a testa. Cocei o queixo, fechei minha boca que estava a poucos segundos aberta e perplexa e com uma de minhas longas e afinadas unhas arranhei Nati. Ela gritou e gemeu.
- Sei... então quer dizer que você está triste, que você está brava e que foi você que acabou de dizer que sua vida nunca vai ser a mesma? Pois fique sabendo cara amiga, que se não fosse por isso eu não seria sua amiga. E se você acha que sua vida acabou, saiba bem que não acabou! Pois você tem uma família compreensiva e uma amiga vampiro que vai te apoiar e te proteger de todos os obstáculos e que principalmente irá te amar incondicionalmente! - disse com uma sinceridade jamais demonstrada antes a ela. Nati se revelou arrependida por tudo que dissera para mim e se mostrou calma. Ela se aproximou de mim, mas ao tentar me abraçar recuou. Vi uma expressão triste e arrependida, completamente arrependida. Nati sempre odiou pessoas racistas, e agora ela estava se sentindo uma - Que foi, vai ficar ai parada com essa cara? - disse friamente. - Vamos respon...
- Ta eu sei! Sei que fui racista me desculpe! - ela interrompeu, sorri e me aproximei dela. Nati hesitou e me abraçou. - Promete? - fiz cara de interrogação e ela repetiu. - Promete?
- Promete o quê, Nati?
- Promete me amar incondicionalmente!? - disse entre lagrimas e sua mão trêmula lavou seus rostos úmido.
Fiz que sim com a cabeça e chorei com ela. Nossas lágrimas se encontraram, nossos cabelos estavam molhados como se tivéssemos acabado de tomar banho e nossos olhos estavam exaustos, os fechamos. Adormeci no chão ao lado de minha melhor amiga, agora mais próxima do que nunca.

Acordei, mas não me lembrei de ter dormido. Estava com torcicolo e dor na bunda, eu tinha dormido no chão com os braços em volta de Nati. Mas acordei e ela não estava mais lá. Me levantei do chão e corri em direção a porta, quando estava em frente dela olhei pelos cantos dos olhos e gemi de arrependimento por não ter dormido confortavelmente na bicama da Nati. Desci as escadas como um furacão, a casa estava arrumada com todo capricho, diferente de ontem após a mãe de Nati ter tombado em quase todos os móveis da sala. Ela me saudou carinhosamente e feliz fez um gesto para que eu me sentasse na cadeira do bar.
- Não obrigada....e-eu não bebo - gaguejei.
A mãe de Nati soltou um estrondoso riso e me encarou, para logo dizer - Oh não querida - riu de novo - não é para você beber, é aqui que agente (só quem mora na casa) come quando a empregada não está aqui.
Ela fez questão de soltar outra irritante risadas, aquelas com a mão no peito de dor de tanto rir. Me senti uma debiloide me senti uma palhaça da corte e me encolhi ao som da voz da mãe de Nati a chamando para comer conosco. Ela demorou a descer e no pequeno e equipado bar de álcool o clima ficou tenso e tedioso. Fiquei pensando em minha mente “Cadê você menina? Aparece Natália!”. Fiquei muito aborrecida quando ela finalmente surgiu na escada a descendo tonta e sem rumo, ela estava com sono e com um pouquinho de sangue na boca! Dei um salto da cadeira alta de bar e fiz um gesto para Nati esfregando o meu dedo indicador nos lábios como se os estivesse limpando. Ela agiu de imediato e deu um sorriso sem graça e sentou-se na outra cadeira ao meu lado. Aquele bar não era nem dos piores, nem dos melhore, ele tinha seus charmes e também era bem colorido. Mas a reforma destruiu parte de sua alegre pintura e deu cor a couros beges e castanhos. Posso afirmar que aquilo não me agradou, porem tive que comer os ovos fritos que a dona da casa fez para mim e me contentar do fato de que o prato de Nati tinha bacon! Só porque eu sou visita e ela moradora, tsc gente mal educada!
Assim que acabei, me levantei guiei o prato vazio até a pia da cozinha e fiz um aceno dos mais bregas para as donas da casa e subi em direção ao quarto de Nati pensar um pouco.
Fiquei ali parado de mãos abanadas e com veias repletas de sangue. Me pus a pensar (sim, eu sou muito pensativa) e fiquei com uma expressão triste e sem direção no rosto. Me aproximei da janela, ela estava aberta e o dia afora estava perfeito. O céu claro e livre de qualquer nuvem me aprisionava na casa e no calor, me dei conta de que aquele mesmo homem estava me olhando atentamente e com um pose de ataque. Não podia deixá-lo me atacar, pois ele entraria na casa e provavelmente sugaria o sangue da família, não que eu me importasse com esse fato, mas eu me importava com Nati. Fiz um longo encaro nele e ele se sentiu inferior a mim. Como eu já dissera o dia estava claro, então não foi difícil de perceber o rosto do homem, me joguei na cama próxima a janela e ri. O que ele estaria fazendo ali.
Nati ouvindo minhas gargalhadas dos outro lado da porta, entrou no quarto rindo mais alto e alegremente. Ela fez uma cara de quem não estava entendendo nada. Fiz questão de encará-la e me virar novamente para a vista da janela. Minha curiosa amiga se aproximou e cochichou em meus ouvidos:
- O que você está olhando?
Ela soava curiosa (como eu já dissera) e ansiosa, despertou em mim uma vontade voraz de sugar seu sangue para que ela se calasse e se afastasse. Porém por mais que eu quisesse agora ela era uma de nós e ela revidaria.
Me aproximei de Nati e perguntei vorazmente: - Topas caçar uma presa comigo?
Meu sorriso malicioso se espalhava pelo meu rosto, logo ela respondeu com uma cara insatisfeita.
- Como assim? Vamos é caçar duas presas! - ela se encaminhou até seu armário e dele arrancou dois vestidos longos e escuros. Pediu que eu me vestisse, apenas fiz como mandado. Ela rapidamente pegou um lápis (de maquiagem), uma sombra e é claro uns batons vermelhos cor de sangue. Fiquei ali parada pensativa “Acho que a Nati não sabe nada do que é ser uma vampiro, não é igual às fábulas”. Ela se adiantou e cobriu o único espelho do banheiro ao lado do quarto com seu rosto maquiavélico. Ela passou uma sombra escura em si mesma, em volta dos olhos azuis e um pouco abaixo de suas olheiras, logo ela contornou com o lápis preto seus olhos, os deixando com um aspecto de vampiros de fábulas. A encarei novamente, seu vestido cobria sua pele do pescoço para baixo. Seu tecido encostava no chão e se rompia ao chão, como ondas que se desfaziam no longo tapete azul que é o oceano. Eu fiquei a encarando-a mais intensamente. De repente ela cobriu seu rosto com uma camada grossa de blush branco e logo traçou seus lábios com o vermelho intenso que era o batom da AVON (marca preferida da criatura). Assim que terminou a reconstrução facial, se virou para mim com a longa cauda do vestido se esquivando da privada e se encaminhou até mim dizendo. - Está esperando o que, vampira mal produzida? - disse Nati com uma ousadia ousada (péeeessima utilização de palavras, eu sei). Ela se dirigiu ao seu quarto, onde olhava com um brilho nos olhos uma bota de salto alto, diria uns 13 cm. A cauda de seu vestido encontrava dificuldade para se esquivar dos móveis e paredes no caminho. Ela os calçou e me olhou severamente, dizendo. - Estou chique, enquanto você, nem se fala Evan - me olhou novamente me revistando de cima a baixo. Ela se tornara uma megera. E que papo é esse de eu estar sem estilo comparando-se a ela? Eu sou estilosa, sim!
Me aprontei e ocupei o espelho do banheiro. Não fiz nada do que Nati fizera, apenas caprichei para deixar o redor dos meus olhos sexy e sedutores e reparei na ousada silhueta do vestido, que consequentemente faziam meu peito sobressaltarem e dar um volume a eles. Dei uma volta de súbito virando-me para Nati, dizendo logo em seguida:
- Se eu não estou estilosa pra você, passa um colírio que assim você melhora, querida - fiz questão de soar como uma vadia e incrementar a palavra “querida” desnecessariamente.
Trocamos sorrisos curtos e cheios de rancor. Mas logo os sorrisinhos foram assumidos por sorrisões e estávamos rindo pra valer uma da outra. Nós nos amávamos muito. Então a olhei severamente e perguntei:
- Sério, Nati, que roupa é essa? - ela me conferiu e me apertou num longo abraço. Nati me encarou e sussurrou em meus ouvidos:
- Relaxa, só estava entrando no clima.
Antes que fossemos atacar duas presas, fiz questão de explicar-lhe como o fazer. Ela me olhou atentamente, anotando todas as minhas dicas na mente. Parecia uma aluna dedicada, uma nerd. Logo depois de dez minutos, ela levantou a mão, como uma aluna com dúvida. Apontei para ela.
- Evan, como assim não posso beber mais de 500mls?
Olhei para ela, que sonsa. Dei um sorriso debochando a e me adiantei em responder astutamente:
- Oras, se você beber mais vai acabar causando problemas na vitima.
- Exemplo?
Puxa, ela era rápida. Estava totalmente centrada no assunto. Conforme eu pensava na resposta mais adequado, o céu ia escurecendo, dando um ar de suspense e terror. Me lembrei imediatamente de Evil, meu mentor, ele era assim, em um momento ele era calmo e lindo (na maioria das vezes), porém ele mudava lentamente sua personalidade, mostrando a razão pela qual ele era um apóstolo de Lúcifer e aliado de Vampir o Grande.
Me lembrei que ainda estava com Nati e me adiantei a responder sua pergunta.
- Um exemplo é... trauma, danos cardíacos e um possível chance da vitima ficar paraplégica.
Nati estremeceu e dilatou seu olhos, os esbugalhando. Ela anotou tudo na cachola e perguntou novamente, seu olhos estavam somente olhando para mim, ela queria ser uma vampiro excelente.
- Você sabe disso porque... Já fez isso?
Fique de boca aberta, meu queixo desceu até a altura de minha silhueta ousada, deixando a mostra meus brancos e cintilantes caninos. Babei, eca. Me senti insultada, por que ela achava que eu faria uma coisa dessas? Credo.
- O que você quer dizer com isso? - opa, eu havia pensado alto. Nati deixou a aluna perfeita de lado e assumiu controle de uma encrenqueira da sala. Se aproximou de mim, mostrou seus dentes. Ela tinha dentes mais amarelos e menos pontiagudos se comparados aos meus. Me apressei a exclamar o nome de meu mentor, o chamando. - Evil! Apareça! - o silêncio permaneceu entre nós. O céu escurecia e ficava nublado como os olhos de Evil. Vociferei. - Fiz o mandado na carta!
Ele surgiu. Mas Nati nem reparou em seu rosto perfeito e me encarou com o queixo mais caído que o meu. Opa, eu tinha falado aquilo me esquecendo que ela estava lá. Mas me pus a olhar para Evil apontando meu indicador para ele. Nati nem o olhou, somente me encarou. Entao coloquei minhas mãos no queixo de Nati, levantei seu queixo e virei sua cabeça com as mãos na direção de Evil.
Ri quando Nati, já com o queixo na posição certa, caiu novamente. Seus olhos brilhavam e ela derretia ao chão como numa balada. Aproximando-se dela, Nati gemeu e estremeceu.
- Quer dizer que você também é o meu mentor? - perguntou o olhando com desejo. Ele me olhou e fez uma cara de interrogação. Se afastou de Nati, para logo se aproximar de mim e se esconder atrás de mim.
Ele era tão perfeito. Tinha a pele bronzeada, olhos que estavam combinando com o céu nublado do dia. Ele era alto, portanto não fez sucesso ao se esconder de trás de mim. Nati se aproximou para tocá-lo. Com total adoração nos olhos Nati repetiu o que acabar de perguntar-lhe e me observou.
- Puxa - disse com adoração, minha amiga. - ,ele é mais lindo do que você falou, Evan.
Epa! Você se esqueceu que ele estava aqui? Pensei. Me afastei de Evil gaguejando e rindo. Ele sorriu para mim com um sorriso cauteloso. Tropecei em Nati e cai em sua cama. Evil se aproximou de mim e me levantou. Mas me soltou quando percebeu em Nati seu corte. Enlouquecido se aproximou dela e lhe agarrou a cintura. Nati gemeu. Ele encaixou seu corpo no dela, com se fossem fazer sexo, e a beijou o pescoço. Nati me encarava num olhar, como se estivesse dizendo: “Ele gosta de mim e não de você” ouvia ela cantarolar em meus ouvidos. Fiquei estável. Quando Evil estava a poucos centímetros de seu corte, colocou sua língua nele e logo começou a chupar cheio de entusiasmo. Nati ficava gemendo. Porém depois de um minuto, começou a ficar pálida, me apressei em afastá-lo. Dei um empurrão nele. Ele estava com sangue fresco em sua boca, estava pingando nojentamente. Nati começou a bufar, me apressei e com muita coragem, pedi que Evil fizesse um corte em meu pescoço sem beber nada. Ele se recuou, mas logo cedeu. Quando ele me cortou com os caninos, me senti seduzida e deixei ele me sugar até a ultima gota. Juro, dei um pule em seu colo. Nati nem percebia de tanta tontura e falta de ar que estava sentindo. Quando me lembrei, pedi a Evil que parasse imediatamente, pois a morte de Nati estava iminente. Ele afastou sua boca de meu pescoço, triste. Eu senti uma atração por ele no mesmo instante. Mas me aproximei de Nati e disse às pressas:
- Vamos, chupe!
Ela nem esperou e de imediato sugou mais que míseros 500mls. Ela estava completamente fascinada, estava impressionada com a explosão que o sangue causava em um vampiro.
Ela gemia e eu só conseguia olhar para Evil. Ela começou a ficar mais forte e menos pálida. Quem diria que sua primeira presa seria sua melhor amiga. Com Nati ainda em meu pescoço, perguntei débil para Evil:
- Quem é o mentor dela?
- Não o conheço.
- Como assim?
Ele apontou para o céu e empinou a cabeça. Olhei para o céu dificilmente. Afastei Nati de meu pescoço e a derrubei ao chão. Ela nem se importou, pois acabara de sugar sangue e estava sentindo um calafrio passar por todo seu corpo, despertando em ela prazer.
- Deve ser um apóstolo de Goodnight - insinuou Evil.
Goodnight! O Deus do bem! Nati era uma vampira do bem enquanto eu era uma vampira
do mal! Me senti suja e completamente chocada. Funguei e derramei lágrimas, que caiam em Nati como uma leve garoa, mas ela não percebeu, ela estava num sono profundo. Evil se aproximou de mim, e vi que nele tinha um coração do bem. Foi como se ele tivesse adentrado meu coração e me feito apaixonada por ele. Bufei e como em um ciclo vicioso, ele cortou sua garganta com uma lâmina que carregava no bolso. Me espantei e me afastei dele, ele se aproximou de mim e aproximou minha cabeça ao seu pescoço e eu cobri sua ferida com meus lábios. Ele então, começou a gemer, e apertou com mais força a minha cabeça contra seu pescoço sangrento. Seu sangue era quente e doce. Era diferente de todos que eu já experimentara. Sangue de vampiro era melhor que de qualquer outro. Sentia o mal de seu sangue percorrer o meu corpo. Me senti uma cachorra enquanto o sugava. Quis tirar minha roupa ali mesmo e experimentar o que todos diziam ser maravilhoso. Mas me senti bloqueada, eu não queria parar o que estava fazendo para tirar a roupa e ainda por cima ele era mais experiente que eu. Mas ele começou a tocar minha bunda! Me senti sexy e ousada. Tirei suas mãos da bunda e as coloquei em meus peitos. Aquele vestido realmente dava mais volume aos meus seios. Ele começou a tocar-los e eu senti uma onda de prazer se espalhar em mim. Seu sangue estava ficando cada vez mais gostoso e parecia que não iria acabar nunca. Eu não queria que acabasse! Queria que aquele momento permanecesse. E permaneceu.
Mas em meio ao tempo que se passava. Tivemos que interromper a seção de ousadia. Ele deu um breve aceno para mim com a mão tampando a ferida. Me espantei e estremecia ao ver que a ferida sumiu com o toque de sua mão. Como se ele tivesse lido meus pensamentos, tocou a garganta de Nati e fez sumir seu corte. Se aproximou de mim e com um beijo curou minha ferida! Ele estava me paquerando e eu estava gostando. Eu estava apaixonada. Fiquei triste, como se uma luz tivesse se apagado em mim quando ele desapareceu.
Havia me esquecido de Nati e me aproximei dela. Mas não a despertei, aliás ela estava dormindo profundamente. Ela precisava de um bom sono. Dei um pulo e um gritinho de leve que fez Nati se mexer. O telefone havia me assustado, seu triii havia me assustado! Todos na casa estavam ocupados então atendi ao telefone. Novamente ouvi aquele mesmo chiado e me senti desprotegida sem Evil por perto, eu estava carente. Com uma voz trêmula de medo perguntei:
- Quem está ai?
A voz soava familiar e começou a falar alegremente ao me ouvir: - E ai gata? Ta afimde me ver? Espero não ter te assustado por ontem, é que o telefone aqui de casa ta uma merda - fiquei aliviada e decepcionada por ser Marcelo do outro lado da linha. Eu havia me esquecido que estava apaixonada por ele também! Por ele e agora por Evil!
- Que, que tu quer? - perguntei.
- Sair contigo, gata.
- Ta, me encontra amanhã.
Me tentei fazer de difícil. Coloquei o telefone sem fio no gancho e como todos na casa fechei os olhos e adormeci. Sonhei com Evil, com o jeito que ele me acariciava, o jeito que ele era lindo, com o jeito que ele me fazia rir, apesar de ser mal ele era um vampiro e tanto. Mas o meu sonho começou a ficar censurado, bebi seu sangue mas parei para fazer, vocês sabem.
Despertei horrorizada, já era quase nove da noite e eu havia dormido muito. Tinha que beber o sangue de alguém, sem 500mls meu dia acabava em ruínas. Improvisei um bilhete, acreditem todos ainda estavam dormindo. Lancei meus braços para a primeira caneta BIC que eu encontrei e com o outro braço arranquei uma folha de caderno na escrivaninha de Nati. Meus olhos forçavam para que eu enxergasse melhor, mas de nada adiantou. Sai do quarto com os roncos de Nati ao fundo. Desci as escadas cavalgando e me sentei na mesa do bar. Comecei a escrever com uma caligrafia horrível, pois eu estava tonta.
Prezada família, eu fui pra um shopping. Não se preocupem com minha enigmática ausência. Quero informar-lhes que não regressarei, estarei a caminho da casa de minha mãe. Não se preocupem apenas durmam tranquilamente.
PS : Adorei dormir ai, o meu fim de semana foi fantástico.

Li novamente todo o texto, fiz uma careta. Só pra constatar, eu só coloquei a parte “meu fim de semana foi fantástico”, pois Evil estava lá! Aliás, por qual outro motiva seria fantástico? Se Nati se tornou vampira, se nós brigamos quase que toda hora e pelo fato do Marcelo ter me dado um susto! Pois é, não tenho motivo, só o fato de Evil estar lá e de nós termos quase, você sabe... Minha cara de malícia tomou conta da minha face. Me debrucei na bancada, colocando um dos cotovelos para apoiar a minha cabeça reli o bilhete mixuruca. Peguei minhas coisas com uma pressa inexplicável e me dirigi até a porta da frente da casa. Em um momento e outro, me vi do outro lado da casa. Saindo do quente para o frio e dos roncos para o silencio duradouro da noite de sábado. Caminhei com os olhos se movimentando sem intervalo. Fiquei atenta a todos os movimentos e a todos. Carros que passavam tocando uma música de heavy matle, sertaneja , rock e até valsa. A cada melodia eu me direcionava aos arbustos e me encolhi para que não me vissem. Tiveram momentos que até pensei em assaltar um veículo, para saciar a minha sede por sangue. Fiquei perambulando as ruas à procura de qualquer ser. Em um instante me pus a pensar no fato de Nati ser do bem e eu... do mal. Me apressei a chorar e desabafar tudo em voz alta com a noite. Quando de súbito surgiu uma mulher, ela era familiar e linda!
- Vênus? - perguntei aflita.
A imagem distorcida do vulto se revelou como Vênus, minha Deusa. Sorri e quis abraçá-la, mas ao contrário fiquei parada e com as lágrimas ainda escorrendo as maçãs de minhas bochechas. A deusa me acariciou o rosto e com tamanha delicadeza me fez levitar com ela. Não fiz questão de gritar ou de mandá-la parar, à aquela altura (dos dois sentidos) eu já não me importava. Vênus, ficou muda o trajeto inteiro, me guiava desviando das estrelas brilhantes. Me senti no filme E.T., em que o menino voava com o E.T. dele. Ela me ninou, e cai em outro sono profundo. Sonhei que estava no extremo azul do céu, sendo guiada por uma força inexplicável, por uma força sábia e majestosa. Tão pura e significativa.
Logo despertei, Vênus não me havia deixado cair. Ainda estava em seus acolhedores e fortes braços. Começamos a descer, planando em um gramado molhado. As hortaliças, davam cor e paisagem ao local. Me sentia em outro filme, Alice no País das Maravilhas. Vênus ria de mim, ela invadia meus pensamentos e até tirava sua mão entrelaçada em mim, para cobrir sua barriga. Sua risada era a mais atraente e real, todos queriam rir com sua risada, por menos engraçada que a situação fosse. Ela fazia qualquer situação ser hilária. Assim que pousamos no gramado, senti cheiro de sangue! Olhei envergonhada para a deusa, que com apenas um olhar e um aceno me disse: “Vá, e trate de beber mais que míseros 500mls”. Novamente a deusa ria e se curvava para apertar sua barriga. Fora de seus fortes e confortadores braços que me protegiam contra o vento durante a viagem, corri até uma cabana. O cheiro ficava mais forte e encantador. Em um súbito instante, olhei para Vênus que estava sentado entre as várias hortaliças. Ela não havia percebido que a observava e continuou imóvel, em maio às várias hortaliças que lá habitavam. Seu rosto iluminavam a noite, seus cabelos preenchiam a noite como um véu escuro e ao mesmo tempo claro, seu sorriso encantava as estrelas e as faziam brilhar. Sua cabeça virou-se suavemente e seus olhos glaucos me encaravam fixamente. Mesurei rapidamente e fui em direção à cabana. No caminho farejei o odor com mais ganância, farejei aos plenos pulmões. Uma luz fraca iluminava o recinto, haviam toneladas de feno espalhadas. Será que a Deusa queria que eu me alimentasse de feno? Claro que não. Aproximando-me lentamente do piso fofo, ouvi ruídos. Vindo detrás de uma montanha de feno. Apertei e estalei os dedos, mordi meus lábios até fazê-los sangras dando sabor à minha boca. Arregalei os de extremo pavor. Haviam corpos por detrás da montanha amarela, os corpos eram mal tratados, cheios de feridas. Tinham cortes profundos, deixando visível seu sangue. Cinco dessas pessoas ainda estavam vivas. Me olhavam com um olhar de socorro. Por acaso a Deusa queria que eu os matasse? Uma sombra se fez formar no chão do feno. A parede de madeira dava forma a uma silhueta. Me virei. Vênus de braços abertos acolheu-me. Me abraçou intenso e fortemente. Disse com os olhos melancólicos:
- Filha, esses humanos foram envenenados e judiados por vampiros indolentes, que a esta hora já devem estar nas Trevas do inferno junto a Lúcifer.. Peço-lhe que os cure com o dom que lhe foi concebido.
Mas que dom é esse? Só sei sugar sangue. E realmente é possível curar um mortal quando venerado? As perguntas rodeavam mais e mais meu cérebro. Me deixei cair nos braços de Vênus. Minhas pernas falhavam ao tentar me manter em pé. Eu estava tonta e confusa. Eu sabia que precisava de sangue. Mas eu não me sinto bem em atacar pessoas frágeis em busca de me satisfazer. Uma das mulheres feridas se aproximou de mim dificilmente. Pegou minha mão e chorou emitindo um alerta em minha cabeça. Seu coração batia lentamente. Sua morte se tornara eminente. Reuni forças fora do comum e sai dos braços de minha Deusa. Ajoelhei-me no chão, onde podia olhar cara a cara para a mulher. Ela repetia sintonias. Seus olhos se fechavam e voltavam a se abrir com um susto. Seu cabelo estava todo desgrenhado e destruído, suas mãos tremiam ao segurar as minhas. Uma lágrima escorreu de seu rosto, a deixando leve, como se sua alma estivesse sendo arrancada do corpo. A agarrei em meus braços e comecei a chorar. Emiti um som agudo e triste. Segurei a mulher toda ferida nos braços, peguei sua cabeça e a pus na minha nuca de modo que eu pudesse ver seu pescoço.
- Me mate! Ou me salve... - disse a mulher com uma desgraça nos olhos.
Seu rosto perdia a cor rosada e dava lugar a um branco amarelado. Me vi diante de uma situação drástica. Aquela vida poderia se perder se eu não fizesse nada. Não evitei e hesitei. Agarrei seu pescoço com um ímpeto extraordinário. Porém, quando meus caninos se aproximaram do pescoço branco da mulher, Vênus ditou calmamente:
- Use seu dom, filha. Use seu dom, filha.
Aquela frase se repetia em minha mente como um disco riscado. Me concentrei no desejo de minha Deusa e fui cercada por um vulto amarelado. A cor era próxima do mal e do bem, o que me espantou. Eu sabia que quando a cor era mais próxima do vermelho o vampiro em destaque era do mal, porém quanto mais próxima do azul era do bem. Mas a minha cor era próxima às duas. Mas era mais próxima do vermelho. Desanimei por um instante, mas me senti bem novamente. Meu vulto me fazia levitar alguns metros, me deixando ao topo de todos. Minha Deusa balançava a cabeça de orgulho. Aceitei a cor de meu vulto e me concentrei em meu possível dom. A Legile de vampirri, deixava claro que os únicos dons que Lúcifer dava eram: o dom da levitação (eu tenho), o dom do controle (eu tenho) e o mais terrível, o dom da guerra. Mas esses dons apenas eram concebidos para mentores ou apóstolos e até mesmo aliados. Mas eu não era nada a disso. Mas as Legile de vampirri também escondia o lado bom, Goodnight (deus do bem) era o deus de Nati. Ele também tinha seus dons, ele também dava dons a apóstolos, mentores e aliados. Raramente para vampiros em treinamento. Quatro de seus dons eram: levitação, controle, pacificação e o dom de parar o tempo. Infelizmente eu não tinha a menor possibilidade de ter um deles, pois não sou do bem e sim do mal. Mas eu era mulher, o que significava, que tinha uma Deusa, e ela também dava dons. Os dons que ela davam eram variados, mas os mais comuns e freqüentes eram: o dom do vôo, o dom da sabedoria, da concentração, da cura e o mais raro, o do minério. Esse eu nunca compreendi. Mas tinha que me concentrar em salvar aquela débil mulher. Quando voltei ao chão, levantei os braços sentindo o poder fluir no meu sangue. Cai sobre o feno, olhei para a mulher pálida. Ela estava desistindo e aparentemente morrendo. Estiquei o corpo e me preparei para tocar suas feridas. Tocando uma a uma, vi as feridas cicatrizando e continuei o ritual. Achava que eram apenas ilusões e que eu estava perdendo-a. Mas sua pele começou a voltar ao tom rosado e a produzir calor. Seu coração bateu forte e rapidamente. Sorri para minha Deusa, que aplaudia. Me voltei para os demais corpos e fui tocando cada ferida. Sumiam rapidamente, dando lugar a uma cicatriz ou pele. Soltava lágrimas de alegria, minhas mãos estavam trêmulas e começaram a suar. Cada um dos corpos abriu os olhos e se levantaram. Todos mesuravam à Deusa e me agradeciam com lágrimas. Apenas um dos corpos permaneceu deitado. Ele estava de costas para mim, portanto não vi seu rosto. Era um garoto, precisamente aparentava ter minha idade. Me aproximei dele e o contornei. Comecei a berrar e tocar-lhe seu corpo, insistindo para sua alma retornar, mas a Deusa apenas disse:
- Desista Filha, este humano morreu.
Eu não queria que esse humano morresse. Não queria que o Marcelo morresse!

domingo, 16 de maio de 2010

Outro conto

E ai, leitores? Estão gostando do meu conto? Se sim, ebaaaa! Se não, eu tenho uma proposta.

À aqueles que estão gostando ou não, tenho uma migaaaaaa minha que também está fazendo um conto. A história dela é fantástica, sei que vocês vão amar, pois eu tive o privilégio de saber o fim da história dela e fiquei intrigada com o fim. Quero que vocês entrem no blog dela e que também a sigam.

www.anasthing.blogspot.com

bjs me sigam e comentem!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Mistérios a serem desvendados

Despertei em um cômodo claro e acolhedor, o lugar me era familiar. Ao abrir melhor minhas pálpebras, pude ver, estava na enfermaria, com a enfermeira fazendo exames de sangue (de novo!). Até parecia que quem tinha desejo por sangue era ela! Não pude evitar um rosnado ao ver Nati com a enfermeira com uma expressão no rosto preocupação falsa. Quer dizer, ela sabe que eu sou o que sou e deixa a enfermeira retirar meu sangue (de novo) com uma agulha! Fiquei ali parada na maca olhando ao meu redor.
- Evan, você acordou querida - a voz dela soava tão hospitaleira que desconfiei e fiz questão de abrir por inteiro os olhos.
- Ah, olá, sim acordei enfermeira - disse com uma voz fraca para que pensassem (a enfermeira e Nati) que eu realmente estava me sentindo débil.
O silêncio permaneceu no cômodo, só se ouviam os ruídos das máquinas da enfermeira e os outros alunos correndo pelos corredores da escola. Estranhei o movimento na escola, tinha muitos alunos, porem a escola já havia acabado, fiz questão de me levantar mas assim que Nati sussurrou no ouvido da enfermeira ao me ver realizar tal gesto a enfermeira se virou com um rápido movimento e me deitou.
- Não Evan! Não deves se levantar! Você está muito fraca para se sentar verticalmente - disse a enfermeira com uma voz de obediência - Além do mas, estamos quase acabando.
Estamos? Quem são esses estamos? Provavelmente a Nati e ela, a Nati olhou para mim e se aproximou me acariciou a testa e apontou para o relógio, se debruçou em meu ouvido direito e sussurrou:
- Está atrasada Evan.
Senti arrepios ao me lembrar de outra coisa, esperei que Nati se afasta- se e tentei realizar novamente o gesto de me levantar, mas neste caso com a intenção de falar com a Sra Soares. Tentei me levantar mas estava muito débil e macilenta, mal pude acreditar ao ver meu reflexo eu um pequeno espelho próximo a pia da enfermaria. Depois de me ver, deitei e pensei em como, como era possível aquilo? A enfermeira se aproximou com a mesma e pontiaguda aguda e vociferei com muita veemência:
- Não! Veja estou bem, a senhora não precisa realizar tal tarefa por favor - disse com rancor e medo, se eu perdesse mais sangue teria que atacar outra vítima, o que eu não queria de maneira alguma - por favor enfermeira, estou bem - abaixei a cabeça, porém logo a levantei para me mostrar forte e em um ímpeto sai da maca e com minha absurda velocidade corri pra fora do cômodo e disse - obrigada por tudo.
Vi que estava escurecendo, já eram quase sete da noite! A biblioteca fechava às sete da noite! Corri com minha insana velocidade até a biblioteca que ficava longe da enfermaria. Cheguei a tempo, faltavam apenas dez minutos e Linda era bem pontual. Ao me aproximar da biblioteca, diminui o passo e comecei a caminhar normalmente para dentro da biblioteca, avistei a Sra. Soares recolhendo os livros deixados nas prateleiras erradas e nas mesas, que preguiçosos não recolhiam ou não colocavam no devido lugar. Enfiei minha cabeça para dentro do cômodo e pude ver com uma visão não muito favorável que a Sra. Soares estava derramada em lagrimas e conversando com o ar. Despertei interesse e arrisquei-me ao tentar melhorar minha visão para ver se ela estava realmente conversando com o ar. Não, ela não estava falando com o ar mês sim com um vulto avermelhado, ou seja, algum mentor ou até mesmo deus maligno das trevas.
- Você falhou Linda, se revelou a uma vampiro - disse uma voz grossa e desapontada.
- Percebo isso, mas ela é esperta e creio que sabe - disse a Sra. Soares com uma voz poderosa e pude ver que um vulto surgiu em ela, um vulto azul claro (turquesa).
Fiquei imóvel enquanto ouvia a conversa mais interessante de minha vida. Eu sabia, como todo bom (no sentido de esperto) vampiro deve saber, que as cores mais avermelhadas e escuras pertenciam a forças malignas e também que quanto mais clara era a cor pertencia a forças boas. Então era um ser do m,AL com um ser do bem que eu estava vendo discutir. O vulto do mal logo disse:
- Deixe de ser tola, Linda, ninguém é mais esperta que nós!
- Calado! Meu Deus não aceita ofensas! - disse ela com ira nos olhos azuis claros.
Fiquei mais espantada ainda quando observei com espanto o rosto de Linda se rejuvenescendo, mas eu não podia demonstrar uma energia agitada pois eles perceberiam minha presença. Me afastei ao perceber que o vulto vermelho se virou para a porta mas deu tempo de eu seguir meus instintos e me afastar, ele continuou:
- Linda, percebo sua admiração por tal ser, mas ele não a merece, eu a mereço! - e chamas se acenderam ao seu redor.
Linda apenas riu e se afastou, provocando mais raiva no outro vulto.
- Deixe-me em paz, Vampir! - disse minha bibliotecária favorita enquanto arrumava sua bancada, afastando a poeira e papeis usados como bilhetinhos por alunos preguiçosos.
Dei um pulo quando ela disse aquele nome, não acreditava, aquele era Vampir o Grande ou com eu o chamava VOG (iniciais de seu nome). Mas depois de um tempo de reflexão me recuperei do espanto e percebi que fazia sentido VOG estar lá. Os dois agora continuaram a conversa com mais arroubo ainda.
- Linda, por favor.... Me aceite de volta - disse Vampir com tristeza nos olhos.
Incomodada, a Sra. Soares chacoalhou os ombros e aproximou seu agora jovem rosto ao dele.
- Com licença, a biblioteca vai fechar e não é permitida a entrada de almas - disse ela sarcástica mas com a real tarefa de expulsar todos de lá.
A Sra. Soares sempre conseguia transformar as mais sérias conversas em uma simples gargalhada, mas tanto eu quanto ela sabíamos que com VOG era diferente. Ela riu e logo assumiu sua forma idosa e olhou para a porta.
- Não uso portas igual a humanos - disse Vampir com uma voz grosseira ao falar a palavra “humanos”. Ele se desmaterializou no ar e a velha senhora que antes estava rindo com uma pele livre de verrugas e rugas olhou para a porta e disse:
- É isso ai, Evan, venha aqui e pegue o livro, já passou da hora de fechar e você sabe muito bem disso - disse a Sra. Soares, colocando o livro recomendado na bancada e disparando os alarmes da biblioteca, sem motivo algum, pois se alguém quisesse roubar a biblioteca teria de ser um fanático por livros (como eu), e era verdade já passaram-se mais de vinte minutos da hora que a biblioteca deveria fechar.
Não disse uma só palavra e corri com minha velocidade máxima para bem longe de lá.

Corri e corri, não olhei para trás de nenhuma maneira. Cruzei corredores, até passei pela enfermaria com meu sangue me pequenos bekcers mas não me precipitei em entrar e bebê-lo e sim em encontrar Nati e pegar sua mão e correr até minha casa com ela, para logo desabafar o ocorrido. Mas se eu fizesse isso estaria óbvio que eu estava desesperada em fugir daquela louca situação (o que eu realmente queria).
Parei assim que vi Nati na estrada do colégio me esperando com uma cara de preocupação e ao mesmo tempo de raiva, acharia ela que eu estava saciado minha sede? Me aproximei, eu estava em uma sobra escura então ninguém me viu, mas assim que sai da sombra Nati berrou:
- Evan onde você estava!
Aquilo com certeza era mais uma frase exclamativa do que uma pergunta, mas para não precisar ouvir mais um discussão no dia, me aproximei e respondi aquela não-pergunta:
- Estava na biblioteca.
- A essa hora? Você sabe muito bem que a Sra. Soares é pontual e não aceita nem o marido entrar depois da hora! - disse Nati com a certeza de que eu tinha era realmente me alimentado de alguém.
Mas a Nati estava errada, ela deixou o seu amor, o VOG, entrar depois da hora e discutiu com ele. Nem se importou de eu estar lá os vendo ela somente continuou. Acho que como eu já sabia quem ela era, ela não se importara em se mostrar por completo, o que foi um erro, pois eu não sou uma vampiro tão esperta quanto ela pensava que eu era.
- Não é o que você está pensando , Nati - me apressei em dizer, mas eu não tinha uma boa desculpa e não queria lhe contar o que eu realmente estava fazendo - Eu estava apenas esperando a Sra. Soares terminar de ligar os alarmes.
Nati não acreditou em nenhuma só palavra na qual eu dissera, mas acreditou que eu não estava saciando minha sede naquele momento, ela segurou meu pulso e retirou de seu bolso seu celular, digitou o numero de sua mãe e pediu a sua mãe que ligasse para a minha autorizando que eu dormisse em sua casa. Minha mãe nem pensou duas vezes e logo deixou que eu dormisse na casa de minha amiga, Nati desligou o celular sorriu para mim e sorriu sem mostrar os dentes e logo disse:
- Lá agente conversa.
Não neguei nem recusei a oferta, apenas respondi a ela com um sorriso semelhante ao dela.

Chegamos em sua casa e pelas pinturas mal feitas de um tom pastel e branco percebi, sua casa estava em reforma, então subimos até seu quarto, o quarto de Nati era típico de uma caçula: ele era vestido em várias cortinas de tons rosados e violetas; sua cama era alta e tinha sempre uma coroa, quando nós tínhamos sete anos participamos de um concurso e personalidade e a Nati ganhou, me lembro até hoje as palavras que o jurado disse me despertando um choro profundo, sou muito competitiva.
- E o troféu para melhor personalidade vai para... - um intervalo de cinco segundos me deram confiança de que ele iria exclamar meu nome: Evangeline Blemdovisky, estava errada - Natalia Morelo!
Sempre que eu entrava em seu quarto desde então me lembrava desse maldito concurso! Nati sempre teve orgulho de sua vitória, e queria que eu também ficasse feliz por ela e eu ficava, mas sentia tanta pena de mim mesmo que esse pensamento me domava e ao longo de nossa amizade se sucederam muitas brigas toscas por esse estúpido concurso. Mas já nos resolvemos sobre tal assunto e caso encerrado. Mas eu não podia evitar um nó no estomago ao me lembrar...
- Vê se esquece, Evan! - disse uma voz estressada - Isso aconteceu faz muitos anos!
Não pude evitar um sorriso curto e abracei aquela amiga que me conhecia tão bem, que só de ver meu olhar sentia o mesmo que eu. Nati se assutou ao receber o meu abraço e senti que ela ficou com um peso na consciência ao ter me dado uma bronca, mas como boas amigas nos abraçamos mais de uma vez e continuamos conversando.
- Então, o que você achou do Marcelo? Ele foi ate você, certo? - disse Nati entusiasmada, saltitando pelo vasto cômodo em busca de uma caneta e um caderno para anotar tudo, já que quando crescer será uma repórter.
- Sim - gargalhei - ele e eu nos encontramos no corredor a caminho da bi...
- Biblioteca, já sei - interrompeu Nati que logo continuou - mas eu não quero saber disso Evan, quero saber como foi.
Eu sabia que Nati sempre foi boa em guardar segredos, ou melhor, fofocas, principalmente quando me envolvem. Conversamos, e conversamos, já eram dez pras nove da noite, a mãe de Nati nos assustou ao abrir a porta com um impacto tenebroso e exclamar como se fossemos uma dupla de surdas:
- Vamos! Hora de comer, meninas!
Assim que a porta se fechou, eu e Nati caímos em gargalhadas e nossos corações estavam batendo forte, tão forte que ouvi o sangue de Nati era bombeado pelo seu assustado e frenético coração. Fiquei ansiosa em me saciar ali mesmo, agora mesmo, mas me contive e com os olhos esbugalhados como os de um mico me levantei e vociferei mais alto que a mãe de Nati, para que eu não ouvisse mais o sangue passar com uma velocidade anormal em minhas veias e as de Nati.
- Vamos! Antes que sua mãe se irrite!
Nati me encarou por alguns segundos, o silencio ecoava no quarto, era demais para mim, o som de nossos sangues sendo bombardeados pelo coração soavam mais barulhentos do que nunca, dei uma volta de 180 graus, abri a porta e desci as escadas correndo. Nati desceu poucos segundos depois, ela não falou nada durante o jantar apenas me encarou na refeição inteira. Nervosa, comi, alias engoli a comida para que pudesse subir e entrar no quarto em reforma da Nati e que assim tivesse um tempo para pensar, e muito. Mas assim que subi as escadas, Nati se retirou da mesa com a palavra educada- licensa aos pais (ato que eu não fiz) e foi ate seu quarto.Percebi que quando eu estava acabando de comer, Nati estava ainda começado a comer então provavelmente ela deve ter deixado o prato semi-cheio ao se retirar da mesa.
Em um ato ingênuo e estúpido meditei e dizia em voz alta:
- Evil, apareça para mim - eu sei que isso não é bem uma meditação, mas eu estava concentrada demais para interromper meu ato impulsivo e meditar corretamente, então continuei. - Huuuuuuummm, apareça!
Assim que terminei a frase, decidi abrir os olhos para investigar o cômodo, canto por canto, a fim de encontrar meu sarado mentor. Mas me espantei ao ver ela, dei um salto para trás e me debrucei no carpete recém colocado (por causa d reforma) e ela veio em minha direção.
- Evan, levanta! Que ceninha ridícula você fez na mesa de jantar - disse Nati revirando os olhos mais azuis que eu já vira.
- Posso saber que ceninha é essa, mocinha? - disse levantando uma de minhas perfeitas sobrancelhas em sua direção, me vi fora da conversa por uns cinco segundo e prossegui. - Saiba bem Nati, que em parte, você foi a protagonista nesta ceninha - disse, afinando a palavra ceninha ao auge do agudo.
Eu a encarei e ela me encarou, fizemos caras de inimigas mortais uma a outra. Seria Nati se tornando uma rival? Não!
- Evan, por qual motivo você está tão esquisita? Quer dizer, essa não é você - Nati disse com uma preocupação em sua voz. - Tudo bem que você é vampiro e tudo tal, mas você está agindo fora do normal, amiga Evan - disse Nati ainda me encarando firmemente, mas deu uma risada ao me ver rir por ela ter me chamado de “amiga Evan”.
Pude ver ali que Nati era uma em um milhão e que merecia saber, pelo menos, de um de meus problemas: A carta; A Sra. Soares; ou sobre o fato de eu ter um mentor mega gato.É lógico que eu decidi falar sobre o Evil, fiquei ansiosa de tirar um peso de meus ombros, então disse angustiada e ansiosa:
- Bem... Você sabe que vampiros tem mentores, né? - perguntei com um sorriso bastante largo e continuei assim que Nati fez um sim com seu polegar direito. - então, eu tenho um, mas não é qualquer um... - dei uma breve e angustiante pausa para Nati e para mim! - o meu é o mais gato dos gatos e ele é um dos grandes apóstolos de Lúcifer e um aliado de VOG !
Vi um brilho bem áspero se formar nos olhos azuis e cristalinos de Nati e ela se emocionou tanto, a ponto de se jogar em mim e chacoalhar os ombros para mais informações (e possivelmente uma foto do Evil). Então prossegui:
- Como eu ia dizendo, ele é lindo:seus olhos tinham a cor de um dia cinzento, ou seja, um azul cinzento; ele tem os lábios mais modelados e esculpidos já vistos por um olho humano (exagerei, mas era verdade) - Nati ficava cada vez mais derretida por ele, mal sabia ela que se eu fizesse o que manda a carta, ela poderia ver o traseiro firme e a beleza incrível de Evil! - Ele tem um trazeirinho lindo! Ele é sexy e eu sei que ele já tem mais de três mil anos, mas ele tem tanquinho! Nati, você imagina, eu vejo ele quase todos os dias!
Nati se derreteu até o chão, mas se recompus assim que a porta toda reformada de seu quarto se abriu e a mãe dela disse:
- Meninas, espero que não se importem, mas eu vou sair um pouco com seu pai/ meu marido.
- Imagina mãe/tia - dissemos em coro entreolhamos uma para a outra e aposto que estávamos pensando o mesmo “ A casa é nossa!”.
Demos um sorriso de orelha a orelha e nos debruçamos uma na outra. A mãe de Nati, aliviada, se retirou do quarto e gritou pela nova janela do corredor (reforma):
- Vamos, estou indo pegar minha bolsa, já estou indo querido!
A mãe de Nati correu ate o seu quarto e pegou uma bolsa muito bela de grife e desceu as escadas como um furacão em direção da cidade e só ouvimos a porta da entrada ser trancada às pressas e a porta do carro ser batida brutalmente acompanhada de uns chingamentos entre casados.
Eu e Nati nos olhamos e saltamos juntas em círculos, então ligamos o laptop de Nati, ligamos a televisão do home theater da sala e corremos ao microondas para inserirmos pipoca nele. Passaram-se três rápidos e divertidos minutos, e eu e Nati retiramos o saco cheio ate o topo de pipoca recém preparada e a jogamos em uma bacia, onde enchemos de manteiga a gosto. Me deitei no sofá com Nati e com um sorriso estampado no rosto vimos os filmes mais calientes de Brad Pitt, Orlando Bloom, Zack Efron e muitos outros desejando encontrar em um deles alguma semelhança de beleza a de Evil, meu gatíssimo mentor.
Após três horas de filme, eu e Nati nos pusemos a pensar na demora do regresso dos pais dela, o telefone fez um barulho tão arrepiador que foi semelhante ao do filme de terror que acabáramos de ver. Fui correndo atender, enquanto a anfitriã mais educada do mundo se pôs entre os sofás apertando com força estrondosa uma frágil e pobre almofada que pertencia ao conjunto do sofá da sala do home theater. Caminhei ate o telefone e o tirei do gancho.
- Não - Nati berrou estendendo sua Mao até mim.
- Relaxa, amiga, não estamos em um filme de terror - disse dando uma risada quase maligna, assustando ainda mais aquela fanática por filmes de terror que já assistira até agora uns 56 filmes de terror. - Alias sou uma vampiro, quem faria mal a mim teria 500mls de sangue retirado.
Nós rimos e eu atendi em seguida, ouvi um chiado no outro lado da linha e de repente ouvi aquela voz:
- Estou de olho.
Eu revirei os olhos para Nati e deixei o telefone cair de minhas mãos, Nati não disse nada só fez um olhar do tipo: “Eu te avisei” e ficamos ali inquietas até os pais de Nati voltarem. Me pus a pensar “Quem seria esse humano? Ou seria ele um humano?”

Segredos mortais


Na escola, depois do fim de semana perturbador, vi ali a minha presa destinada por Vampir o Grande e por Lúcifer...
- E ai? Como foi seu fim de semana? - perguntou a minha refeição, Nati.
- Posso dizer que foi... angustiante - disse, sem tirar os olhos das veias do pulso dela.
Um breve silêncio se encerrou entre nós. Nati escondeu o pulso de desconforto de meu olhar. Bufei.
- Você ligou pra minha casa nesse final de semana? É que eu recebi muitos telefonemas não atendidos no sábado e no domingo - disse Nati, angustiada.
- Fui eu sim... Recebi uma carta de Vampir o Grande - respondi
- Sério, puxa isso deve ser gigante, uma honra, certo? - perguntou a ingênua.
- Sim, mas você sabe que o que ser que estiver dentro da carta é uma ordem - disse aflita.
- Sei sim, é uma Legi de vampir.... Uma coisa assim, certo? - perguntou Nati se fazendo de “expert” em coisas de vampiro, tsc tsc, mal sabia ela o que lhe aguardava.
- Legile de vampirii, você quis dizer - murmurei.
- Tanto faz, Evan. O que está escrito na carta? - perguntou Nati, curiosa.
- Lamento, mas não posso dizer.
- Como não? Evan, agora você me deixou curiosa! - exclamou Nati, tapando a boca de ter falado tão alto.
- Isso, avisa o mundo que eu sou uma vampiro fria e cruel - sussurrei.
- Você não é nada disso, mesmo que te pedissem pra ser, você não conseguiria, Evan - falou Nati, me confortando com uns tapinhas leves nas costa.
Nati tinha razão, eu não conseguiria nem mesmo se alguém (Evil, Vampir o Grande ou Lúcifer) pedisse. Eu era uma vampiro diferente das outras, eu era compassiva e temia pela quantidade de sangue que eu retirava das veias de minhas vítimas, para que não houvesse nenhum dano sem cura.
Dei um sorriso amigável para Nati, apesar de tudo que eu sou, ela me apoiava e compreendia. Ela era uma amiga fiel e cheia de amor e proteção para dar, e eu uma garota aparentemente normal que se transforma quando deseja, em uma vampiro. Eu sabia que não merecia aquela garota, essa pessoa de um coração tão bom e doce. Mas eu tinha em mente que o que teria de fazer mudaria tudo! Mas por que com ela? Por que não com outra pessoa? Me sentia culpada todos os dias pelas vítimas que eu fazia ao longo da semana, mas não conseguiria nem olhar meu próprio reflexo se eu fizesse isso.
Como eu, poderia fazer isso com ela? Eu sabia que ao menos Nati devia saber de seu destino aclamado por Vampir o Grande e Lúcifer.
- Nati, temos que conversar... - disse para Nati, que nem esperava pelo que estava por vir.
Ela me deu um sorriso e me fez um olhar do tipo “diga, estou ouvindo”, mas eu precisava falar com ela, ou pelo menos com alguém.
- Diga Evan - disse Nati com um olhar de entusiasmo.
Não consegui falar nada, nem mesmo uma palavra. Engoli em seco e pensei “quem sabe com Evil, aliás ele é meu mentor e é seu dever me ouvir”.
- É que.... Eu tenho que ir.... Pra biblioteca estudar - disse e me levantei. Olhei para trás e vi Nati me encarando com uma cara de dúvida, mas ao invés de me segurar pela mão e me forçar a sentar e “desembuchar” todas as fofocas (como geralmente faz), ela apenas apontou com o indicador para o relógio e se despediu com um breve e generoso aceno. Entendi que ela quis dizer, ao indicar o relógio, que era para eu não me atrasar pois ainda lhe restavam respostas para eu ter-lhe chamado a atenção.
Corri em direção reta para a quase sempre vazia biblioteca da escola, virei a primeira curva para a direita e me espantei ao me deparar e quase trombar com o Marcelo.
- Oi... Desculpe - disse morta de vergonha, ele me acariciou a nuca e colocou meus cabelos atrás dos ombros e da orelha. Fiquei paralisada esperando arrepiada pelo que o Marcelo iria dizer.
Ele olhou direto nos meus seios ficou os encarando com um sorriso maroto, me apressei e coloquei minha mão em seu queixo e o levantei. Ele olhou direto nos meus olhos e ficou os encarando, tive vontade de fazer um escândalo ali mesmo, no corredor próximo à biblioteca e fazer com que a bibliotecária me desse uma advertência pelo meu grau de voz.
- Não é nada não, mas Marcelo dá pra parar de olhar pra baixo? - disse para ele, apontando minha cabeça para meus seios e olhando-o com uma expressão facial de desgosto e nojo.
Ele se adiantou a responder:
- Relaxa Evan, estava apenas observando a sua blusa, bacana ela em? Além do mais não sou tarado só apaixonado, ou a Nati não te falou? - insinuou Marcelo sabendo muito bem (mais do que bem) que era evidente que a Nati tinha me dito o que ele pedira-lhe.
Fiquei ali o encarando de cima a baixo, ele era lindo, um corpo perfeitamente esculpido, já até me perguntara se ele não era um vampiro (os vampiros são uma espécie magnífica de bela). Fiquei imaginando se o Marcelo estava dizendo a verdade sobre ter olhado para a “blusa” vermelha de sangue. Me perguntei se ele não tivera mesmo reparando na ousada silhueta, mas como se tivesse invadido meus pensamentos disse:
- Relaxa Evan, não estou olhando nada de... de... especial.
Fiquei ali espantada pelo uso ridículo da palavra “especial”, mas que tarado! Eu sempre soube que o Marcelo tinha uma certa atração por mim, ele nunca me chateou ou coisa do tipo, ele era um dos garotos mais populares do colégio e era malvado com todas exceto eu. Não que eu não gostasse desse individualismo por mim, mas ele era grosso com as outras e isso me fazia pensar cada vez mais que o Marcelo era um vampiro.
O silêncio ecoou no corredor e a única coisa que eu ouvia eram meus pensamentos. De repente, uma cabecinha se projeta na dobradiça da porta semi-aberta e diz:
- Muito bem crianças, continuem fazendo silêncio.
Olhamos (eu e o Marcelo) com um ímpeto para a nanica da Sra. Soares, ela acenou e piscou para nós, não pude conter os meus risos. Ri muito e alto. Logo, Marcelo também se debatia de rir e murmurou em meu ouvido:
- Você não estava indo para algum lugar, Evan?
Sim eu estava, e tinha que ir logo, ate porque eu tinha uma amiga me esperando na lanchonete com os olhos fixos no relógio digital.
Corri em disparada para a porta semi-aberta da biblioteca onde em poucos segundos antes a Sra. Soares havia agradecido e nos feito morrer de rir.
Sem dizer ao menos um tchau, acenei para o gato que eu deixara para trás e fiz um vasto gesto para a Sra. Soares, ela me cumprimentou e apontou para a cadeira manchada (provavelmente de sangue, não, definitivamente de sangue) que eu sempre sentava quando alugava um livro de Vampiros, o que era bizarro para velha bibliotecária que me conhecia tão bem quanto conhecia o século XIX.
Me surpreendi quando ela correu lentamente para uma prateleira e voltou com um livro pesado e empoeirado e o colocou sobre a mesa (ainda mais ensangüentada do que a cadeira) e insinuou:
-Escolhi especialmente pra você assim que a vi com aquele menino.
Pensei bem no que iria falar dali, escolhi as palavras cautelosamente:
- Ele não é meu amigo, ta? - percebi que a Sra. Soares fez uma careta marota e continuei - Por que está me olhando assim? Além do mais não estou a fim de ler - menti, sempre tive arroubo de ler, novamente a velha senhora me encarou e quando foi abrir a boca para insinuar algo sobre o que eu acabara de falar a interrompi - Nem vem que não tem Linda (seu nome), quero que você saiba que só vim aqui para ir na prateleira de dicionários.
- Deixe-me falar Evan! Eu te conheço a cinco anos, e sei que você é apaixonada por esse rapaz - disse ela, e era verdade tenho dezesseis anos e freqüento a biblioteca desde os onze anos ou menos - esse é um livro magnífico, Evan, quero que você o leia com atenção.
Aceitei a proposta e o coloquei na mochila, preenchi o folheto de alugamento de livro e me levantei. Mesurei para a Sra. Soares e andei cautelosamente e de olhos fechados como se fosse da realeza até a prateleira de dicionários.
Olhei em volta, não havia ninguém e sussurrei baixinho:
- Evil, preciso de você agora!
Nada surgiu e repeti:
- Evil apareça!
Em um breve segundo vi um vulto roxo e uma brisa congelante. Ele foi se materializando no ar, pude ver como seu corpo era melhor esculpido que o de Marcelo e me concentrei em sua beleza indescritível.
- Que acontece Evan? Leste a carta? - perguntou o deus grego, mas nesse caso o deus maligno.
- Pois é eu li, mas acho que tem algo errado... - gaguejei, mostrando-lhe a carta.
- Desculpe-me mas Vampir não erra - disse arrancando a carta de minhas mãos - Deixe-me ler - pude acompanhar seus olhos deslizarem na carta e logo ele continuou - não há nada de errado.
Fiquei triste e desabafei com meu mentor:
- Prefiro morrer ao realizar tal ordem!
- Jura? - perguntou confuso o mentor.
- Não, mas porque? Com que fim eu tenho que fazer isso?
- Não sou Vampir, querida.
Me derreti ao ouvir ele me chamar assim, mas voltei ao normal bufando. Perguntei:
- Mas você o conhece correto?
Evil não disse muito apenas fechou a boca e mordiscou os lábios, pude ver incerteza no seu rosto, mas logo ele afirmou com a cabeça.
- Pode perguntar a ele por que eu tenho que fazer isso? - perguntei.
Apenas vi Evil mesurar e afirmar com a cabeça se desmaterializando no ar. Fiquei ali parada, com os pés cravados ao chão, triste. Vi minha velha amiga se aproximando e me abraçando vendo meu sofrimento sem motivo (para ela). A olhei e derramei uma lágrima em sua blusa de lã, ela não se importou e pediu para que eu chorasse a vontade em sua blusa. Fiz o que ela pediu e derramei em lágrimas, ela me levou para o balcão da biblioteca pouco visitada (já que poucos alunos tinham total interesse me livros). A encarei e me surpreendi ao ver que ela tinha um pequeno risco azul em seu olhos, eu nuca havia percebido. Parei de abraçá-La e me concentrei em seu olho, aliás em seu dois olhos! Isso era um sinal, ela era uma mentora? Reparei ainda mais e me aprofundei em seu olhar. Percebi que ela se afastou de mim e cobriu o rosto. Fiquei ali, sentada no balcão de boca aberta.
- Você.... Você Sra. Soares... - gaguejei e cai dura na bancada me deitando sobre vários livros recém devolvidos a ela.
Linda afirmou, mesmo que aquilo que eu disse não soara como uma pergunta e fiquei ali, se ela afirmara para mim assim tão brevemente, queira dizer que ela sabia de minha pessoa melhor do que eu pensara. Ela tocou minha bochecha e com o mesmo dedo com o qual tocou minha bochecha guiou até o livro que ela recomendara.
Li o nome do livro e me debrucei de espanto sobre a bancada: “Linda e Vampir, um amor eterno”.

sábado, 8 de maio de 2010

A carta de Vampir


Lá estava ele, com aquele olhar desafiador... Tive de agir, fui ao ataque, seu sangue era doce e latejava minha boca. Nunca sentira essa aflição e prazer. Ao pensar em que outras vítimas eu faria em breve. Estava eu me tornando um monstro de fábulas ou fora o destino aclamado por Vênus a Deusa das mulheres?

- Acorda Evangeline, você ouviu uma palavra da qual eu falei? - disse Natália, minha melhor amiga, com a boca cheia de pão integral.
- Sim... estou - respondi.
Eu sempre menti mal, desde pequena, quando queria esconder a realidade que Evil, meu mentor ,me dera. Esse inferno de dom. Nunca me aceitei, mas Nati sim, e era por isso que ela era a única a saber da realidade de meu destino, eu compartilhava tudo com ela, desde o pré primário.
- Acorda Evan!!! To falando do Marcelo!! - vociferou minha enigmática amiga.
- Tá bom, estou ouvindo. O Marcelo... - murmurei, ainda com pensamentos negativos.
- É o seguinte, o lindo e perfeito do Marcelo, me disse que está a fim de você! - disse Nati eufórica.
- E daí - respondi, com a mínima vontade de continuar a prestar atenção.
O que faria eu, ali, na lanchonete da escola? Comendo pão de queijo e coca-cola? Por que eu não estava me alimentando de pessoas inocentes, de vítimas? Lá estava eu, sentada no duro e rústico banco da escola, lembrando-me de cenas das quais não queria me lembrar. Via o sangue das veias de Nati, queria partir pro ataque, ali mesmo, na frente de todos. Mas eu não pude nem posso. Essa menina em minha frente com as veias pulsantes, era a última coisa que me restara neste mundo, a pessoa que eu mais amo. Resisti à tentação...
- Nati, entenda, eu não quero saber de ninguém! Pare de empurrar garotos (vítimas) pra mim! Você tem que entender que eu só posso ter uma vida amorosa, se não com um vampiro. - sussurrei, pensando no que acabara de falar.
Será que realmente eu nunca teria uma vida normal? Como eu encontraria outra alma perdida, guardada pelo apóstolo de Lúcifer, Vampir o Grande, neste hostil mundo?
O que muitos não sabem, é que as fábulas de vampiros nada mais são que lendas. Não sou doida por sangue, não vôo, muito menos durmo de dia para estar atenta a noite e fazer a minha refeição diária (nesse caso noturno). Tento atacar o mínimo de humanos, para me sentir mais “humana”.
O sinal toca, agora é a 5ª aula, estou exausta e fraca, precisara eu de sangue? Não! Não posso seguir meus instintos misericordiosos e atacar um aluno, ou até mesmo... Nati.
- Nati, diga para a professora que eu estarei ausente.
- Não Evan, não faça isso! - disse minha melhor amiga, pressentindo a minha futura ação.
Ela não tivera tempo de me deter, eu era rápida e ágil, escapei de suas ordens.
Eu estava a poucos metros da escola, andei até o beco entre a escola e uma loja de roupas. Aguardei ansiosa onde eu sempre ataco, desejando que saísse uma presa para eu atacar. Logo que surgisse a empurraria para o beco, me alimentaria de infalíveis 500mls e acomodaria a vítima em uma calçada próxima, para que pensasse que desmaiara.
Enquanto às marcas do pescoço, não existe esse mito, meus caninos são apenas mais pontiagudos que os dos humanos e o que eu provocaria seriam duas pequenas picadas, parecidas com picada de pernilongo, livres de infecções e de meu veneno. Jamais aplicaria gotas de veneno nas veias de uma presa. É contra os princípios de Evil o meu mentor (um dos apóstolos de Lúcifer), teria eu que aguardar uma visão ou até mesmo uma carta do mesmo, me dizendo quem eu envenenaria e por quê.
Surgira ali então uma sombra, agi rapidamente, era um homem. Mas vampiros quando assumem sua forma real, ficam três vezes mais fortes (ou mais).
Peguei o humano, ele se debatia, berrava e chorava. Mas meu quente e compassivo coração já se tornara frio e impiedoso.
Suguei os 500mls, olhei por volta. Minha vítima e eu estávamos ali, sozinhos. Tinha que ser rápida e ágil. Corri com uma velocidade anormal para uma calçada , apoiei a inconsciente vítima, olhei ao meu redor, ninguém. Suguei alguns restos de sangue na pele do homem, limpei minha boca e corri em disparada.
“Que sangue doce.... Tão suculento e diferente. Diria O+, delícia o sangue O positivo!” pensei.
Não podia ficar ali parada, tinha que voltar para a escola e arranjar uma desculpa, para contar à professora da 5ª aula.
Fui rápida, entrei na escola e bufei, me fingindo de tonta.
Vieram quatro homens, cada um forte e belo (e aposto, com um irresistível sangue), me socorrer.
Eles me carregaram até a enfermaria e me deitaram ali, na fria e limpa maca e se despediram, passando a responsabilidade à enfermeira Odette.
Me inspecionou, colocaram uma lanterna em meu olho esquerdo e direito, não doeu (também não é verdade o fato de que os olhos de um vampiro se irritam ao avistar uma clara luz). A enfermeira se debruçou e em sua mão estava uma injeção com uma lâmina pontiaguda. Fechei os olhos, para não ver o MEU sangue - sou impulsiva ao fato de que até mesmo a cor vermelha despertava prazer e gosto em mim. Tivera até uma vez que bebi muito mais que míseros 500mls do meu sangue e fui às pressas ao hospital Vera Cruz receber soro.
A enfermeira retirou 100mls de minhas veias, colocou em cima da vasta bancada e a desinfetou. Derramou o sangue cor vinho (A positivo) e com uma colher, arrastou um pouco do sangue em um Becker e fez muitos gestos de enfermagem.
- Querida, você não tem nada, apenas uma pulsação e sangue agitados, me parece que seu sangue está com O positivo, seria isso? - esclareceu a branda enfermeira para mim, em dúvida sobre meu diagnóstico.
Então era isso, esquecera-me que acabara de ingerir sangue O+, e esse sangue me deixou agitada e misturou-se rapidamente em MEU sangue A+.
Saí agitada da enfermaria, agradeci com um gesto fraco (aliás acabaram de fazer um furo em meu pulso). Minha mão pingava o sangue A+ e O+, resisti.
Cheguei a classe onde eu deveria estar a 20 minutos. Mostrei a professora meu braço, ela entendeu e pediu para me sentar.
Como de costume, sentei na cadeira próxima a de Nathi, e a empurrei até ela.
- Onde você estava?! - perguntou Nati eufórica, com a minha fuga.
- ...Eu estava no beco, depois fui à enfermaria. A enfermeira me diagnosticou com leves mudanças de sangue e me deu este curativo - expliquei a minha amiga, com cautela para que ninguém ouvisse.
O sinal da escola soou, agora era a ultima aula (viva!). Olhei para Nathi e falei sobre a vítima que eu acabara de fazer. Ela ficou roxa de preocupação e me perguntou:
- Você está louca? Essa pobre pessoa, inocente, privada da vida agora por SUA culpa! Estou decepcionada, sabe-se lá o que esse ser iria fazer no momento, quem sabe visitar um parente doente? Pegar a sobrinha na escolinha? E agora vai ter trauma pro resto da vida, por SUA culpa, Evan!
- Eu sei que o que eu fiz foi uma besteira, mas eu estava... Faminta!!! Ou eu comia ou EU ia ficar com trauma. Você queria o quê? - perguntei com constrangimento e culpa.
- Eu queria que você não fosse isso... vampira. Mas fazer o que, certo? Alias é a mais pura e debimental realidade. Você é o que você é, e você é o que você come... sangue - sussurrou Nati antes que a professora se aproximasse de nós e nos desse um olhar de rancor.
- Classe, hoje vamos aprender os mistérios das fábulas. Vejam esse livro em minhas mãos, Os vampiros, é uma série fictícia e assombrosa, aliás estamos falando de vampiro - disse a professora rindo de arroubo e me encarando.
Como assim íamos estudar um livro de VAMPIROS! E que história é essa de que somos fictícios? Só se for na imaginação de todos menos a minha e a de Nati, e outros vampiros, lógico.
Lemos o primeiro capítulo, não demorou muito até soar o sinal, aleluia eu podia sair dali.
Saindo da sala, algo me chamou a atenção. Fiz um sinal de “já vou” pra Nati enquanto desviei o meu andar até a biblioteca gigante e incrivelmente silenciosa da escola.
Eu estava seguindo um vulto, ele se mexia. Era um vulto escuro, diria um vermelho bordado de preto. Não parei de segui-lo.
O vulto se encaminhou até o canto mais vazio da biblioteca (a prateleira de dicionários) e mostrou seu rosto maléfico.
Quase cai de espanto ao ver o seu rosto, senti que a biblioteca mudou, ficou negativa. O rosto do vulto era assombrosamente lindo! O rosto era jovem, me lembrava diria o Joe Jonas (sou fã), os olhos eram de um azul cinzento, que mais pareciam um dia bloqueado pelas nuvens carregadas de água. Seu corpo era todo esculpido, e ele era alto.
- Evangeline, sou Evil, seu mentor - disse a perfeição em pessoa para mim.
Eu já o conhecia, desde que soube que era isso. Mas eu não tinha noção de beleza e muito menos dele. Ele era realmente maravilhoso.
- Ahn? - poxa, o maior gatinho na minha frente e eu só sei dizer isso?
- Não se assuste, porém devo confessar que sou o apóstolo de Lúcifer, e que ele me encaminhou até aqui para lhe entregar a seguinte mensagem - disse Evil, meu gato mentor.
Ele me entregou uma carta, a abri, me espantei ao ver que a tinta era cor vinho avermelhada e tinha um odor inconfundível.
- Sangue! - berrei baixinho, ao ver a caligrafia vermelha.
- Sim, Evangeline, é sangue, descobristes o mundo - disse sarcástico.
- Suponho que essa carta pertence a Lúcifer?
- Errado, Lúcifer pediu a Vampir o Grande, que fizesse a carta - disse entusiasmado.
Vampir? Mas como ele escreveu isso? Justo eu, uma adolescente voraz, porém cuidadosa a quantidade de sangue por dia?
- Mas por que eu? - perguntei a Evil com cara de estúpida.
- Não se impressione, apenas leia - disse o sagaz Evil.
- Antes de ler, o que a carta contém?
- Não sei, não olhei. É contra as Legile de vampirii - disse o sábio e honesto homem (apesar de trabalhar para Lúcifer).
Legile de vampirii (leis de vampiro), nelas indicam uma grande variedade de regras e leis (óbvio), mas uma coisa era certa: Vampir o Grande me escrevera uma carta e nela estava escrita uma ordem.
Decidi me despedir do gostosão do meu mentor e andei sem nem ter percebido que ele evaporou no ar.
Queria compartilhar esse momento com Nati, ela poderia me ajudar a tomar a decisão certa e de enfrentar a vontade de lamber o papel recheado de sangue!

Cheguei em casa exausta, olhei em volta, só estava eu naquela casa! Liguei pra Nati, ninguém atendeu. A demora para que atendessem o telefone da casa dela foi tão árdua e demorada que decidi ler a carta e mostrar pra ela amanhã (na sexta feira).
Li a carta, mas parei de ler no terceiro parágrafo e cai dura na cama, pensando “Não posso fazer isso” e dormi com esse pensamento horrível.