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sábado, 8 de maio de 2010

A carta de Vampir


Lá estava ele, com aquele olhar desafiador... Tive de agir, fui ao ataque, seu sangue era doce e latejava minha boca. Nunca sentira essa aflição e prazer. Ao pensar em que outras vítimas eu faria em breve. Estava eu me tornando um monstro de fábulas ou fora o destino aclamado por Vênus a Deusa das mulheres?

- Acorda Evangeline, você ouviu uma palavra da qual eu falei? - disse Natália, minha melhor amiga, com a boca cheia de pão integral.
- Sim... estou - respondi.
Eu sempre menti mal, desde pequena, quando queria esconder a realidade que Evil, meu mentor ,me dera. Esse inferno de dom. Nunca me aceitei, mas Nati sim, e era por isso que ela era a única a saber da realidade de meu destino, eu compartilhava tudo com ela, desde o pré primário.
- Acorda Evan!!! To falando do Marcelo!! - vociferou minha enigmática amiga.
- Tá bom, estou ouvindo. O Marcelo... - murmurei, ainda com pensamentos negativos.
- É o seguinte, o lindo e perfeito do Marcelo, me disse que está a fim de você! - disse Nati eufórica.
- E daí - respondi, com a mínima vontade de continuar a prestar atenção.
O que faria eu, ali, na lanchonete da escola? Comendo pão de queijo e coca-cola? Por que eu não estava me alimentando de pessoas inocentes, de vítimas? Lá estava eu, sentada no duro e rústico banco da escola, lembrando-me de cenas das quais não queria me lembrar. Via o sangue das veias de Nati, queria partir pro ataque, ali mesmo, na frente de todos. Mas eu não pude nem posso. Essa menina em minha frente com as veias pulsantes, era a última coisa que me restara neste mundo, a pessoa que eu mais amo. Resisti à tentação...
- Nati, entenda, eu não quero saber de ninguém! Pare de empurrar garotos (vítimas) pra mim! Você tem que entender que eu só posso ter uma vida amorosa, se não com um vampiro. - sussurrei, pensando no que acabara de falar.
Será que realmente eu nunca teria uma vida normal? Como eu encontraria outra alma perdida, guardada pelo apóstolo de Lúcifer, Vampir o Grande, neste hostil mundo?
O que muitos não sabem, é que as fábulas de vampiros nada mais são que lendas. Não sou doida por sangue, não vôo, muito menos durmo de dia para estar atenta a noite e fazer a minha refeição diária (nesse caso noturno). Tento atacar o mínimo de humanos, para me sentir mais “humana”.
O sinal toca, agora é a 5ª aula, estou exausta e fraca, precisara eu de sangue? Não! Não posso seguir meus instintos misericordiosos e atacar um aluno, ou até mesmo... Nati.
- Nati, diga para a professora que eu estarei ausente.
- Não Evan, não faça isso! - disse minha melhor amiga, pressentindo a minha futura ação.
Ela não tivera tempo de me deter, eu era rápida e ágil, escapei de suas ordens.
Eu estava a poucos metros da escola, andei até o beco entre a escola e uma loja de roupas. Aguardei ansiosa onde eu sempre ataco, desejando que saísse uma presa para eu atacar. Logo que surgisse a empurraria para o beco, me alimentaria de infalíveis 500mls e acomodaria a vítima em uma calçada próxima, para que pensasse que desmaiara.
Enquanto às marcas do pescoço, não existe esse mito, meus caninos são apenas mais pontiagudos que os dos humanos e o que eu provocaria seriam duas pequenas picadas, parecidas com picada de pernilongo, livres de infecções e de meu veneno. Jamais aplicaria gotas de veneno nas veias de uma presa. É contra os princípios de Evil o meu mentor (um dos apóstolos de Lúcifer), teria eu que aguardar uma visão ou até mesmo uma carta do mesmo, me dizendo quem eu envenenaria e por quê.
Surgira ali então uma sombra, agi rapidamente, era um homem. Mas vampiros quando assumem sua forma real, ficam três vezes mais fortes (ou mais).
Peguei o humano, ele se debatia, berrava e chorava. Mas meu quente e compassivo coração já se tornara frio e impiedoso.
Suguei os 500mls, olhei por volta. Minha vítima e eu estávamos ali, sozinhos. Tinha que ser rápida e ágil. Corri com uma velocidade anormal para uma calçada , apoiei a inconsciente vítima, olhei ao meu redor, ninguém. Suguei alguns restos de sangue na pele do homem, limpei minha boca e corri em disparada.
“Que sangue doce.... Tão suculento e diferente. Diria O+, delícia o sangue O positivo!” pensei.
Não podia ficar ali parada, tinha que voltar para a escola e arranjar uma desculpa, para contar à professora da 5ª aula.
Fui rápida, entrei na escola e bufei, me fingindo de tonta.
Vieram quatro homens, cada um forte e belo (e aposto, com um irresistível sangue), me socorrer.
Eles me carregaram até a enfermaria e me deitaram ali, na fria e limpa maca e se despediram, passando a responsabilidade à enfermeira Odette.
Me inspecionou, colocaram uma lanterna em meu olho esquerdo e direito, não doeu (também não é verdade o fato de que os olhos de um vampiro se irritam ao avistar uma clara luz). A enfermeira se debruçou e em sua mão estava uma injeção com uma lâmina pontiaguda. Fechei os olhos, para não ver o MEU sangue - sou impulsiva ao fato de que até mesmo a cor vermelha despertava prazer e gosto em mim. Tivera até uma vez que bebi muito mais que míseros 500mls do meu sangue e fui às pressas ao hospital Vera Cruz receber soro.
A enfermeira retirou 100mls de minhas veias, colocou em cima da vasta bancada e a desinfetou. Derramou o sangue cor vinho (A positivo) e com uma colher, arrastou um pouco do sangue em um Becker e fez muitos gestos de enfermagem.
- Querida, você não tem nada, apenas uma pulsação e sangue agitados, me parece que seu sangue está com O positivo, seria isso? - esclareceu a branda enfermeira para mim, em dúvida sobre meu diagnóstico.
Então era isso, esquecera-me que acabara de ingerir sangue O+, e esse sangue me deixou agitada e misturou-se rapidamente em MEU sangue A+.
Saí agitada da enfermaria, agradeci com um gesto fraco (aliás acabaram de fazer um furo em meu pulso). Minha mão pingava o sangue A+ e O+, resisti.
Cheguei a classe onde eu deveria estar a 20 minutos. Mostrei a professora meu braço, ela entendeu e pediu para me sentar.
Como de costume, sentei na cadeira próxima a de Nathi, e a empurrei até ela.
- Onde você estava?! - perguntou Nati eufórica, com a minha fuga.
- ...Eu estava no beco, depois fui à enfermaria. A enfermeira me diagnosticou com leves mudanças de sangue e me deu este curativo - expliquei a minha amiga, com cautela para que ninguém ouvisse.
O sinal da escola soou, agora era a ultima aula (viva!). Olhei para Nathi e falei sobre a vítima que eu acabara de fazer. Ela ficou roxa de preocupação e me perguntou:
- Você está louca? Essa pobre pessoa, inocente, privada da vida agora por SUA culpa! Estou decepcionada, sabe-se lá o que esse ser iria fazer no momento, quem sabe visitar um parente doente? Pegar a sobrinha na escolinha? E agora vai ter trauma pro resto da vida, por SUA culpa, Evan!
- Eu sei que o que eu fiz foi uma besteira, mas eu estava... Faminta!!! Ou eu comia ou EU ia ficar com trauma. Você queria o quê? - perguntei com constrangimento e culpa.
- Eu queria que você não fosse isso... vampira. Mas fazer o que, certo? Alias é a mais pura e debimental realidade. Você é o que você é, e você é o que você come... sangue - sussurrou Nati antes que a professora se aproximasse de nós e nos desse um olhar de rancor.
- Classe, hoje vamos aprender os mistérios das fábulas. Vejam esse livro em minhas mãos, Os vampiros, é uma série fictícia e assombrosa, aliás estamos falando de vampiro - disse a professora rindo de arroubo e me encarando.
Como assim íamos estudar um livro de VAMPIROS! E que história é essa de que somos fictícios? Só se for na imaginação de todos menos a minha e a de Nati, e outros vampiros, lógico.
Lemos o primeiro capítulo, não demorou muito até soar o sinal, aleluia eu podia sair dali.
Saindo da sala, algo me chamou a atenção. Fiz um sinal de “já vou” pra Nati enquanto desviei o meu andar até a biblioteca gigante e incrivelmente silenciosa da escola.
Eu estava seguindo um vulto, ele se mexia. Era um vulto escuro, diria um vermelho bordado de preto. Não parei de segui-lo.
O vulto se encaminhou até o canto mais vazio da biblioteca (a prateleira de dicionários) e mostrou seu rosto maléfico.
Quase cai de espanto ao ver o seu rosto, senti que a biblioteca mudou, ficou negativa. O rosto do vulto era assombrosamente lindo! O rosto era jovem, me lembrava diria o Joe Jonas (sou fã), os olhos eram de um azul cinzento, que mais pareciam um dia bloqueado pelas nuvens carregadas de água. Seu corpo era todo esculpido, e ele era alto.
- Evangeline, sou Evil, seu mentor - disse a perfeição em pessoa para mim.
Eu já o conhecia, desde que soube que era isso. Mas eu não tinha noção de beleza e muito menos dele. Ele era realmente maravilhoso.
- Ahn? - poxa, o maior gatinho na minha frente e eu só sei dizer isso?
- Não se assuste, porém devo confessar que sou o apóstolo de Lúcifer, e que ele me encaminhou até aqui para lhe entregar a seguinte mensagem - disse Evil, meu gato mentor.
Ele me entregou uma carta, a abri, me espantei ao ver que a tinta era cor vinho avermelhada e tinha um odor inconfundível.
- Sangue! - berrei baixinho, ao ver a caligrafia vermelha.
- Sim, Evangeline, é sangue, descobristes o mundo - disse sarcástico.
- Suponho que essa carta pertence a Lúcifer?
- Errado, Lúcifer pediu a Vampir o Grande, que fizesse a carta - disse entusiasmado.
Vampir? Mas como ele escreveu isso? Justo eu, uma adolescente voraz, porém cuidadosa a quantidade de sangue por dia?
- Mas por que eu? - perguntei a Evil com cara de estúpida.
- Não se impressione, apenas leia - disse o sagaz Evil.
- Antes de ler, o que a carta contém?
- Não sei, não olhei. É contra as Legile de vampirii - disse o sábio e honesto homem (apesar de trabalhar para Lúcifer).
Legile de vampirii (leis de vampiro), nelas indicam uma grande variedade de regras e leis (óbvio), mas uma coisa era certa: Vampir o Grande me escrevera uma carta e nela estava escrita uma ordem.
Decidi me despedir do gostosão do meu mentor e andei sem nem ter percebido que ele evaporou no ar.
Queria compartilhar esse momento com Nati, ela poderia me ajudar a tomar a decisão certa e de enfrentar a vontade de lamber o papel recheado de sangue!

Cheguei em casa exausta, olhei em volta, só estava eu naquela casa! Liguei pra Nati, ninguém atendeu. A demora para que atendessem o telefone da casa dela foi tão árdua e demorada que decidi ler a carta e mostrar pra ela amanhã (na sexta feira).
Li a carta, mas parei de ler no terceiro parágrafo e cai dura na cama, pensando “Não posso fazer isso” e dormi com esse pensamento horrível.

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