
Despertei em um cômodo claro e acolhedor, o lugar me era familiar. Ao abrir melhor minhas pálpebras, pude ver, estava na enfermaria, com a enfermeira fazendo exames de sangue (de novo!). Até parecia que quem tinha desejo por sangue era ela! Não pude evitar um rosnado ao ver Nati com a enfermeira com uma expressão no rosto preocupação falsa. Quer dizer, ela sabe que eu sou o que sou e deixa a enfermeira retirar meu sangue (de novo) com uma agulha! Fiquei ali parada na maca olhando ao meu redor.
- Evan, você acordou querida - a voz dela soava tão hospitaleira que desconfiei e fiz questão de abrir por inteiro os olhos.
- Ah, olá, sim acordei enfermeira - disse com uma voz fraca para que pensassem (a enfermeira e Nati) que eu realmente estava me sentindo débil.
O silêncio permaneceu no cômodo, só se ouviam os ruídos das máquinas da enfermeira e os outros alunos correndo pelos corredores da escola. Estranhei o movimento na escola, tinha muitos alunos, porem a escola já havia acabado, fiz questão de me levantar mas assim que Nati sussurrou no ouvido da enfermeira ao me ver realizar tal gesto a enfermeira se virou com um rápido movimento e me deitou.
- Não Evan! Não deves se levantar! Você está muito fraca para se sentar verticalmente - disse a enfermeira com uma voz de obediência - Além do mas, estamos quase acabando.
Estamos? Quem são esses estamos? Provavelmente a Nati e ela, a Nati olhou para mim e se aproximou me acariciou a testa e apontou para o relógio, se debruçou em meu ouvido direito e sussurrou:
- Está atrasada Evan.
Senti arrepios ao me lembrar de outra coisa, esperei que Nati se afasta- se e tentei realizar novamente o gesto de me levantar, mas neste caso com a intenção de falar com a Sra Soares. Tentei me levantar mas estava muito débil e macilenta, mal pude acreditar ao ver meu reflexo eu um pequeno espelho próximo a pia da enfermaria. Depois de me ver, deitei e pensei em como, como era possível aquilo? A enfermeira se aproximou com a mesma e pontiaguda aguda e vociferei com muita veemência:
- Não! Veja estou bem, a senhora não precisa realizar tal tarefa por favor - disse com rancor e medo, se eu perdesse mais sangue teria que atacar outra vítima, o que eu não queria de maneira alguma - por favor enfermeira, estou bem - abaixei a cabeça, porém logo a levantei para me mostrar forte e em um ímpeto sai da maca e com minha absurda velocidade corri pra fora do cômodo e disse - obrigada por tudo.
Vi que estava escurecendo, já eram quase sete da noite! A biblioteca fechava às sete da noite! Corri com minha insana velocidade até a biblioteca que ficava longe da enfermaria. Cheguei a tempo, faltavam apenas dez minutos e Linda era bem pontual. Ao me aproximar da biblioteca, diminui o passo e comecei a caminhar normalmente para dentro da biblioteca, avistei a Sra. Soares recolhendo os livros deixados nas prateleiras erradas e nas mesas, que preguiçosos não recolhiam ou não colocavam no devido lugar. Enfiei minha cabeça para dentro do cômodo e pude ver com uma visão não muito favorável que a Sra. Soares estava derramada em lagrimas e conversando com o ar. Despertei interesse e arrisquei-me ao tentar melhorar minha visão para ver se ela estava realmente conversando com o ar. Não, ela não estava falando com o ar mês sim com um vulto avermelhado, ou seja, algum mentor ou até mesmo deus maligno das trevas.
- Você falhou Linda, se revelou a uma vampiro - disse uma voz grossa e desapontada.
- Percebo isso, mas ela é esperta e creio que sabe - disse a Sra. Soares com uma voz poderosa e pude ver que um vulto surgiu em ela, um vulto azul claro (turquesa).
Fiquei imóvel enquanto ouvia a conversa mais interessante de minha vida. Eu sabia, como todo bom (no sentido de esperto) vampiro deve saber, que as cores mais avermelhadas e escuras pertenciam a forças malignas e também que quanto mais clara era a cor pertencia a forças boas. Então era um ser do m,AL com um ser do bem que eu estava vendo discutir. O vulto do mal logo disse:
- Deixe de ser tola, Linda, ninguém é mais esperta que nós!
- Calado! Meu Deus não aceita ofensas! - disse ela com ira nos olhos azuis claros.
Fiquei mais espantada ainda quando observei com espanto o rosto de Linda se rejuvenescendo, mas eu não podia demonstrar uma energia agitada pois eles perceberiam minha presença. Me afastei ao perceber que o vulto vermelho se virou para a porta mas deu tempo de eu seguir meus instintos e me afastar, ele continuou:
- Linda, percebo sua admiração por tal ser, mas ele não a merece, eu a mereço! - e chamas se acenderam ao seu redor.
Linda apenas riu e se afastou, provocando mais raiva no outro vulto.
- Deixe-me em paz, Vampir! - disse minha bibliotecária favorita enquanto arrumava sua bancada, afastando a poeira e papeis usados como bilhetinhos por alunos preguiçosos.
Dei um pulo quando ela disse aquele nome, não acreditava, aquele era Vampir o Grande ou com eu o chamava VOG (iniciais de seu nome). Mas depois de um tempo de reflexão me recuperei do espanto e percebi que fazia sentido VOG estar lá. Os dois agora continuaram a conversa com mais arroubo ainda.
- Linda, por favor.... Me aceite de volta - disse Vampir com tristeza nos olhos.
Incomodada, a Sra. Soares chacoalhou os ombros e aproximou seu agora jovem rosto ao dele.
- Com licença, a biblioteca vai fechar e não é permitida a entrada de almas - disse ela sarcástica mas com a real tarefa de expulsar todos de lá.
A Sra. Soares sempre conseguia transformar as mais sérias conversas em uma simples gargalhada, mas tanto eu quanto ela sabíamos que com VOG era diferente. Ela riu e logo assumiu sua forma idosa e olhou para a porta.
- Não uso portas igual a humanos - disse Vampir com uma voz grosseira ao falar a palavra “humanos”. Ele se desmaterializou no ar e a velha senhora que antes estava rindo com uma pele livre de verrugas e rugas olhou para a porta e disse:
- É isso ai, Evan, venha aqui e pegue o livro, já passou da hora de fechar e você sabe muito bem disso - disse a Sra. Soares, colocando o livro recomendado na bancada e disparando os alarmes da biblioteca, sem motivo algum, pois se alguém quisesse roubar a biblioteca teria de ser um fanático por livros (como eu), e era verdade já passaram-se mais de vinte minutos da hora que a biblioteca deveria fechar.
Não disse uma só palavra e corri com minha velocidade máxima para bem longe de lá.
Corri e corri, não olhei para trás de nenhuma maneira. Cruzei corredores, até passei pela enfermaria com meu sangue me pequenos bekcers mas não me precipitei em entrar e bebê-lo e sim em encontrar Nati e pegar sua mão e correr até minha casa com ela, para logo desabafar o ocorrido. Mas se eu fizesse isso estaria óbvio que eu estava desesperada em fugir daquela louca situação (o que eu realmente queria).
Parei assim que vi Nati na estrada do colégio me esperando com uma cara de preocupação e ao mesmo tempo de raiva, acharia ela que eu estava saciado minha sede? Me aproximei, eu estava em uma sobra escura então ninguém me viu, mas assim que sai da sombra Nati berrou:
- Evan onde você estava!
Aquilo com certeza era mais uma frase exclamativa do que uma pergunta, mas para não precisar ouvir mais um discussão no dia, me aproximei e respondi aquela não-pergunta:
- Estava na biblioteca.
- A essa hora? Você sabe muito bem que a Sra. Soares é pontual e não aceita nem o marido entrar depois da hora! - disse Nati com a certeza de que eu tinha era realmente me alimentado de alguém.
Mas a Nati estava errada, ela deixou o seu amor, o VOG, entrar depois da hora e discutiu com ele. Nem se importou de eu estar lá os vendo ela somente continuou. Acho que como eu já sabia quem ela era, ela não se importara em se mostrar por completo, o que foi um erro, pois eu não sou uma vampiro tão esperta quanto ela pensava que eu era.
- Não é o que você está pensando , Nati - me apressei em dizer, mas eu não tinha uma boa desculpa e não queria lhe contar o que eu realmente estava fazendo - Eu estava apenas esperando a Sra. Soares terminar de ligar os alarmes.
Nati não acreditou em nenhuma só palavra na qual eu dissera, mas acreditou que eu não estava saciando minha sede naquele momento, ela segurou meu pulso e retirou de seu bolso seu celular, digitou o numero de sua mãe e pediu a sua mãe que ligasse para a minha autorizando que eu dormisse em sua casa. Minha mãe nem pensou duas vezes e logo deixou que eu dormisse na casa de minha amiga, Nati desligou o celular sorriu para mim e sorriu sem mostrar os dentes e logo disse:
- Lá agente conversa.
Não neguei nem recusei a oferta, apenas respondi a ela com um sorriso semelhante ao dela.
Chegamos em sua casa e pelas pinturas mal feitas de um tom pastel e branco percebi, sua casa estava em reforma, então subimos até seu quarto, o quarto de Nati era típico de uma caçula: ele era vestido em várias cortinas de tons rosados e violetas; sua cama era alta e tinha sempre uma coroa, quando nós tínhamos sete anos participamos de um concurso e personalidade e a Nati ganhou, me lembro até hoje as palavras que o jurado disse me despertando um choro profundo, sou muito competitiva.
- E o troféu para melhor personalidade vai para... - um intervalo de cinco segundos me deram confiança de que ele iria exclamar meu nome: Evangeline Blemdovisky, estava errada - Natalia Morelo!
Sempre que eu entrava em seu quarto desde então me lembrava desse maldito concurso! Nati sempre teve orgulho de sua vitória, e queria que eu também ficasse feliz por ela e eu ficava, mas sentia tanta pena de mim mesmo que esse pensamento me domava e ao longo de nossa amizade se sucederam muitas brigas toscas por esse estúpido concurso. Mas já nos resolvemos sobre tal assunto e caso encerrado. Mas eu não podia evitar um nó no estomago ao me lembrar...
- Vê se esquece, Evan! - disse uma voz estressada - Isso aconteceu faz muitos anos!
Não pude evitar um sorriso curto e abracei aquela amiga que me conhecia tão bem, que só de ver meu olhar sentia o mesmo que eu. Nati se assutou ao receber o meu abraço e senti que ela ficou com um peso na consciência ao ter me dado uma bronca, mas como boas amigas nos abraçamos mais de uma vez e continuamos conversando.
- Então, o que você achou do Marcelo? Ele foi ate você, certo? - disse Nati entusiasmada, saltitando pelo vasto cômodo em busca de uma caneta e um caderno para anotar tudo, já que quando crescer será uma repórter.
- Sim - gargalhei - ele e eu nos encontramos no corredor a caminho da bi...
- Biblioteca, já sei - interrompeu Nati que logo continuou - mas eu não quero saber disso Evan, quero saber como foi.
Eu sabia que Nati sempre foi boa em guardar segredos, ou melhor, fofocas, principalmente quando me envolvem. Conversamos, e conversamos, já eram dez pras nove da noite, a mãe de Nati nos assustou ao abrir a porta com um impacto tenebroso e exclamar como se fossemos uma dupla de surdas:
- Vamos! Hora de comer, meninas!
Assim que a porta se fechou, eu e Nati caímos em gargalhadas e nossos corações estavam batendo forte, tão forte que ouvi o sangue de Nati era bombeado pelo seu assustado e frenético coração. Fiquei ansiosa em me saciar ali mesmo, agora mesmo, mas me contive e com os olhos esbugalhados como os de um mico me levantei e vociferei mais alto que a mãe de Nati, para que eu não ouvisse mais o sangue passar com uma velocidade anormal em minhas veias e as de Nati.
- Vamos! Antes que sua mãe se irrite!
Nati me encarou por alguns segundos, o silencio ecoava no quarto, era demais para mim, o som de nossos sangues sendo bombardeados pelo coração soavam mais barulhentos do que nunca, dei uma volta de 180 graus, abri a porta e desci as escadas correndo. Nati desceu poucos segundos depois, ela não falou nada durante o jantar apenas me encarou na refeição inteira. Nervosa, comi, alias engoli a comida para que pudesse subir e entrar no quarto em reforma da Nati e que assim tivesse um tempo para pensar, e muito. Mas assim que subi as escadas, Nati se retirou da mesa com a palavra educada- licensa aos pais (ato que eu não fiz) e foi ate seu quarto.Percebi que quando eu estava acabando de comer, Nati estava ainda começado a comer então provavelmente ela deve ter deixado o prato semi-cheio ao se retirar da mesa.
Em um ato ingênuo e estúpido meditei e dizia em voz alta:
- Evil, apareça para mim - eu sei que isso não é bem uma meditação, mas eu estava concentrada demais para interromper meu ato impulsivo e meditar corretamente, então continuei. - Huuuuuuummm, apareça!
Assim que terminei a frase, decidi abrir os olhos para investigar o cômodo, canto por canto, a fim de encontrar meu sarado mentor. Mas me espantei ao ver ela, dei um salto para trás e me debrucei no carpete recém colocado (por causa d reforma) e ela veio em minha direção.
- Evan, levanta! Que ceninha ridícula você fez na mesa de jantar - disse Nati revirando os olhos mais azuis que eu já vira.
- Posso saber que ceninha é essa, mocinha? - disse levantando uma de minhas perfeitas sobrancelhas em sua direção, me vi fora da conversa por uns cinco segundo e prossegui. - Saiba bem Nati, que em parte, você foi a protagonista nesta ceninha - disse, afinando a palavra ceninha ao auge do agudo.
Eu a encarei e ela me encarou, fizemos caras de inimigas mortais uma a outra. Seria Nati se tornando uma rival? Não!
- Evan, por qual motivo você está tão esquisita? Quer dizer, essa não é você - Nati disse com uma preocupação em sua voz. - Tudo bem que você é vampiro e tudo tal, mas você está agindo fora do normal, amiga Evan - disse Nati ainda me encarando firmemente, mas deu uma risada ao me ver rir por ela ter me chamado de “amiga Evan”.
Pude ver ali que Nati era uma em um milhão e que merecia saber, pelo menos, de um de meus problemas: A carta; A Sra. Soares; ou sobre o fato de eu ter um mentor mega gato.É lógico que eu decidi falar sobre o Evil, fiquei ansiosa de tirar um peso de meus ombros, então disse angustiada e ansiosa:
- Bem... Você sabe que vampiros tem mentores, né? - perguntei com um sorriso bastante largo e continuei assim que Nati fez um sim com seu polegar direito. - então, eu tenho um, mas não é qualquer um... - dei uma breve e angustiante pausa para Nati e para mim! - o meu é o mais gato dos gatos e ele é um dos grandes apóstolos de Lúcifer e um aliado de VOG !
Vi um brilho bem áspero se formar nos olhos azuis e cristalinos de Nati e ela se emocionou tanto, a ponto de se jogar em mim e chacoalhar os ombros para mais informações (e possivelmente uma foto do Evil). Então prossegui:
- Como eu ia dizendo, ele é lindo:seus olhos tinham a cor de um dia cinzento, ou seja, um azul cinzento; ele tem os lábios mais modelados e esculpidos já vistos por um olho humano (exagerei, mas era verdade) - Nati ficava cada vez mais derretida por ele, mal sabia ela que se eu fizesse o que manda a carta, ela poderia ver o traseiro firme e a beleza incrível de Evil! - Ele tem um trazeirinho lindo! Ele é sexy e eu sei que ele já tem mais de três mil anos, mas ele tem tanquinho! Nati, você imagina, eu vejo ele quase todos os dias!
Nati se derreteu até o chão, mas se recompus assim que a porta toda reformada de seu quarto se abriu e a mãe dela disse:
- Meninas, espero que não se importem, mas eu vou sair um pouco com seu pai/ meu marido.
- Imagina mãe/tia - dissemos em coro entreolhamos uma para a outra e aposto que estávamos pensando o mesmo “ A casa é nossa!”.
Demos um sorriso de orelha a orelha e nos debruçamos uma na outra. A mãe de Nati, aliviada, se retirou do quarto e gritou pela nova janela do corredor (reforma):
- Vamos, estou indo pegar minha bolsa, já estou indo querido!
A mãe de Nati correu ate o seu quarto e pegou uma bolsa muito bela de grife e desceu as escadas como um furacão em direção da cidade e só ouvimos a porta da entrada ser trancada às pressas e a porta do carro ser batida brutalmente acompanhada de uns chingamentos entre casados.
Eu e Nati nos olhamos e saltamos juntas em círculos, então ligamos o laptop de Nati, ligamos a televisão do home theater da sala e corremos ao microondas para inserirmos pipoca nele. Passaram-se três rápidos e divertidos minutos, e eu e Nati retiramos o saco cheio ate o topo de pipoca recém preparada e a jogamos em uma bacia, onde enchemos de manteiga a gosto. Me deitei no sofá com Nati e com um sorriso estampado no rosto vimos os filmes mais calientes de Brad Pitt, Orlando Bloom, Zack Efron e muitos outros desejando encontrar em um deles alguma semelhança de beleza a de Evil, meu gatíssimo mentor.
Após três horas de filme, eu e Nati nos pusemos a pensar na demora do regresso dos pais dela, o telefone fez um barulho tão arrepiador que foi semelhante ao do filme de terror que acabáramos de ver. Fui correndo atender, enquanto a anfitriã mais educada do mundo se pôs entre os sofás apertando com força estrondosa uma frágil e pobre almofada que pertencia ao conjunto do sofá da sala do home theater. Caminhei ate o telefone e o tirei do gancho.
- Não - Nati berrou estendendo sua Mao até mim.
- Relaxa, amiga, não estamos em um filme de terror - disse dando uma risada quase maligna, assustando ainda mais aquela fanática por filmes de terror que já assistira até agora uns 56 filmes de terror. - Alias sou uma vampiro, quem faria mal a mim teria 500mls de sangue retirado.
Nós rimos e eu atendi em seguida, ouvi um chiado no outro lado da linha e de repente ouvi aquela voz:
- Estou de olho.
Eu revirei os olhos para Nati e deixei o telefone cair de minhas mãos, Nati não disse nada só fez um olhar do tipo: “Eu te avisei” e ficamos ali inquietas até os pais de Nati voltarem. Me pus a pensar “Quem seria esse humano? Ou seria ele um humano?”




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